terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Grande encontro de sete divas negras no TCA

Por Suzana Varjão
Salvador foi escolhida para sediar o lançamento do DVD Mães D' Água - Yèyé Omó Ejá, que perpetua o encontro inédito de sete grandes intérpretes negras da Música Popular Brasileira, proporcionado pela Fundação Cultural Palmares e pelo Ministério da Cultura. O palco do acontecimento é o do Teatro Castro Alves, em Salvador (Bahia), onde, em 8 de dezembro próximo, às 21h, um grande show irá reconstituir a celebração em homenagem à rainha das águas.
O concerto que originou o DVD foi realizado no Teatro Nacional de Brasília, em agosto último, para celebrar os 22 anos de criação da Fundação Palmares. Sob a regência do maestro Angelo Rafael Fonseca, Daúde, Margareth Menezes, Mart´nália, Luciana Mello, Rosa Marya Colin e Paula Lima executaram um repertório composto por canções que saúdam Iemanjá. Como linha-guia, os sete mais conhecidos arquétipos da iyabá (feminino de orixá) das águas.

ORIGENS - Yèyé significa mãe, em yoruba; yèyé omó ejá 1, mãe cujos filhos são peixes; mãe d´água - ou Iemanjá. Mito africano reverenciado em quase todo o mundo, Iemanjá nasceu negra, mas foi embranquecendo, na esteira do mimetismo dos negros escravizados com a cultura de seus dominadores. Foi para reafirmar as origens desta bela lenda que Zulu Araújo concebeu o concerto, que tem direção geral de Elisio Lopes Jr., direção artística de Fábio Espírito Santo, figurinos de Márcia Ganem e luz de Irma Vidal.

O DVD foi pré-lançado pela TV Brasil, em 20 de novembro último, às 22h, como ponto alto da programação que celebrou o Dia Nacional da Consciência Negra. No lançamento oficial, em Salvador, haverá a reprodução do encontro, com quase todas as divas. Somente Paula Lima não poderá estar presente, e será substituída por Mariene de Castro. No repertório, composições de Dorival Caymmi a Lenine, passando por Vinícius de Moraes, Baden Powell e Candeia, entre muitos outros.

O MITO - Reza a mitologia yoruba que o(a) dono(a) do mar é Olokun - deus masculino em alguns países africanos, feminino em outros. Yemojá (yèyé + omó + ejá) é saudada como odò (rio) ìyá (mãe) pelo povo Egbá (subgrupo dos Yoruba da Nigéria), de onde ambas as divindades são originárias. Mas o mito correu mundo, e Yemojá instalou-se em lagos doces e salgados, enseadas, quebra-mares e junções entre rio e mar, assumindo diferentes formas, etnias, vestes, nomes, temperamentos, poderes.

Numa das mais recorrentes versões da lenda africana, Yemojá é considerada a mãe de todas as divindades yorubas. Nascida da união de Obatalá (o Céu) com Odudua (Terrestre), desposa o irmão, Aganju, com quem tem um filho, Orungã. A representação africana de Édipo apaixona-se pela mãe, que, ao fugir de sua perseguição, cai de costas e morre. Seu corpo dilata-se. Dos grandes seios brotam duas correntes de água, que formam um grande lago; do ventre rompido, nascem os deuses e deusas.

Celebrada em vários países, notadamente nos da Diáspora Africana, Yemojá (Yemojá/ Iemojá) é quase sempre representada como uma divindade branca, sendo chamada, também, de Yemayá (Yemaya) e de Iyemanjá (Yemanjá/Iemanjá), como é mais conhecida no Brasil. Uma das poucas nações que assumem a etnia original da iyabá é Cuba. Na ilha de Fidel, Iemanjá é negra, governa os mares, usa as cores azul e branca, assume o nome cristão de la Virgen de la Regla e é a padroeira dos portos de Havana.

BRASIL - Em nosso País, Iemanjá também é considerada a rainha do mar, mas sua representação simbólica é predominantemente branca. É festejada em vários estados, mas as datas diferem de um para outro. No Rio de Janeiro, por exemplo, o culto ocorre em 31 de dezembro, na passagem de ano, quando os devotos oferecem presentes à iyabá, na esperança de que ela carregue os problemas para o fundo do mar e faça emergirem dias melhores.

Na Bahia, a celebração ocorre em 2 de fevereiro, dia de Nossa Senhora de Candeias, uma das santas católicas com as quais a divindade africana foi camuflada, para a sobrevivência do culto. Além de Nossa Senhora de Candeias, Iemanjá foi também sincretizada com a Virgem Maria, Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora da Piedade. Entre as oferendas que a vaidosa iyabá mais gosta estão espelhos, pentes, flores, sabonetes e perfumes.

O ESPETÁCULO - Reunidas em blocos temáticos, solando ou em duetos, as sete intérpretes negras enfocam, no concerto, a iyabá (o mito, a mulher); e sua morada (os mananciais). Mas o mimetismo entre divas e divindades não é linear, ou óbvio. Está expresso nas canções, nos "climas" visuais (iluminação, figurino, adereços...) e em vídeos, que exibem ritos ligados a Iemanjá e trechos de uma entrevista com uma mãe de santo, filha de Iemanjá.

É um mimetismo, enfim, tão criativo quanto a idéia geral da programação que comemorou os 22 anos de luta em defesa da cultura afro-brasileira. Como se fizesse uso das sete anáguas com as quais a rainha das águas protege seus filhos, a Fundação Cultural Palmares lançou incentivos culturais e interconectou sete capitais brasileiras, formando uma corrente simbólica que expressa a necessidade, o desejo e o empenho em preservar um dos maiores tesouros deste País - seu patrimônio imaterial.

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Serviço

O quê: Show de lançamento do DVD Mães D' Água - Yèyé Omó Ejá e da edição especial da Revista Palmares
Quando:
Dia 08/12/2010

Horário: 21horas

Onde: Teatro Castro Alves (Salvador, Bahia)

Convites: Distribuição gratuita na bilheteria do TCA, dias 06, 07 e 08 (o número é limitado e condicionado à lotação máxima do teatro).

Revista e DVD: Distribuição gratuita, mediante entrega de convite

Endereço: Praça 2 de Julho S/N, Campo Grande

Informações: (71) 9148 8653 - (61) 9973 6006

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Arany Santana recebe título de cidadã soteropolitana

A secretária Estadual de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, Arany Santana, vai receber amanhã o título de cidadã soteropolitana. A titular, nascida em Amargosa, é licenciada em Letras pela UFBA e foi a primeira chefe da pasta da Reparação em Salvador, após ajudar a fundar o Ilê-Aiyê e o Movimento Negro Unificado, em 1978. A solenidade será no Plenário Cosme de Farias, na Câmara Vereadores da capital baiana, às 19 horas.

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domingo, 28 de novembro de 2010

Morre o ator Leslie Nielsen

O ator Leslie Nielsen morreu neste domingo (28) aos 84 anos em um hospital de Ft. Lauderdale, no estado americano da Flórida. O canadense teria morrido de complicações devido a uma pneumonia.


A notícia foi divulgada pela rádio canadense CJOB, com informações de um sobrinho de Nielsen.


Nielsen foi um dos protagonistas do clássico "O Planeta Proibido", de 1956, no qual interpretou o capitão da nave espacial. Depois, estrelou "O Destino do Poseidon", de 1972.


Mas ator é lembrado especialmente por seus papéis cômicos em filmes como Apertem os cintos, o piloto sumiu!" (1980), "Corra que a polícia vem aí" (1988) – e as sequências "Corra que a Polícia Vem Aí 2½" (1991)" e "Corra que a Polícia Vem Aí 33⅓" (1994) –, "Drácula - morto, mas feliz" (1995), "Duro de espiar" (1996), "Mr. Magoo" (1997), além de ter participado da série "Todo mundo em pânico".


terça-feira, 23 de novembro de 2010

Evento reunirá representantes da poder público estadual, dos veículos privados de comunicação e da sociedade civil para aprofundar o debate de idéias e reforçar as demandas das mulheres por políticas públicas.

Pela primeira vez, a cidade de Salvador é sede de um encontro que discutirá a inserção da mulher na mídia baiana e as políticas públicas voltadas para esse segmento na comunicação, trata-se do “Encontro Baiano Mulheres e Mídias”. O evento acontecerá no dia 30 de novembro (terça-feira), às 9h, no Cine XIV (Pelourinho – espaço a confirmar) e reunirá diversas representantes dos setores público e privado e da sociedade civil, como a secretária de Promoção da Igualdade (SEPROMI), Luiza Bairros, a apresentadora do programa Boa Tarde Bahia, da TV Bandeirantes, Rita Batista e Rachel Moreno da Articulação Nacional Mulher e Mídia. As inscrições são gratuitas e estão disponíveis no www.mulheremidiabahia.blogspot.com.


Segundo um estudo, realizado pela WACC (World Association for Christian Communication, em português Associação Mundial de Comunicação Cristã), de 2006, mostrou que, mesmo constituindo 52% da população mundial, as mulheres aparecem em apenas 21% das notícias. Ou seja, para cada mulher que aparece no noticiário, quatro homens são retratados. No rádio, este percentual é ainda menor: 17%. O que mostra que esse não é um problema só do Brasil. Tendo em vista que o principal problema quando se fala das mulheres nos meios de comunicação, é a invisibilidade, o principal objetivo do encontro é estabelecer metas e propostas para a inserção dessas mulheres nos diversos âmbitos da comunicação.

A invisibilidade e a escassa participação das mulheres na produção de conteúdo dos veículos de comunicação são os temas que têm sido discutidos nacionalmente, e estiveram presentes na Conferência Nacional de Comunicação, realizada em 2009, no Distrito Federal, através da Articulação Nacional Mulher e Mídia. Com o intuito de reforçar as demandas das mulheres por políticas públicas na comunicação, durante o encontro baiano será apresentada “A Carta da Articulação Baiana Mulher e Mídia ao Poder Público Estadual”, com diversas reivindicações do movimento social, para o desenvolvimento de políticas públicas de inserção e valorização da mulher na mídia baiana. Entre as reivindicações aos órgãos públicos está o fomento e financiamento a criação de campanhas de comunicação que combatam a discriminação das mulheres no mercado de trabalho e abertura de espaços na grade da TV e rádio pública para veiculação de programas, campanhas, VT e Spots de divulgação de eventos propostos por instituições de mulheres.

A programação do encontro será dividida em duas sessões, na primeira serão discutidas políticas públicas para mulheres na mídia, com representantes do poder público: Luiza Bairros (SEPROMI), Sahada Josefina (IRDEB), Roseli Arantes (AGECOM) e Rachel Moreno (Articulação Nacional Mulher e Mídia). No segundo momento, serão discutidas as formas de produção de qualidade nas diversas mídias baianas, com: Cleidiana Ramos (A Tarde), Rita Batista (TV Band), Andréia Beatriz (SESAB e UEFS) e Ceres Santos (CEAFRO).

O Encontro Baiano Mulheres e Mídias contará com a apresentação da performance do Grupo Loucas de Pedra Lilás, de Pernambuco e da cantora Rebeca Tárike, de Salvador. No encerramento, ocorrerá o lançamento em livro e DVD, da publicação Controle Social da Imagem da Mulher na Mídia, fruto do Seminário Nacional de mesmo nome, realizado em março de 2008, em São Paulo, que reuniu cerca de 150 lideranças de organizações e movimentos de todas as regiões do Brasil, além de representantes de ministérios e órgãos do Governo.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA
8h – 9h Credenciamento / Café da Manhã / Mostra Audiovisual
9h30 Talk Show “Mulher e Mídia: Alternativas para romper a barreira da invisibilidade”
- Rachel Moreno (Integrante da Articulação Nacional Mulher e Mídia)
- Sahada Mendes (IRDEB / TVE Educativa e Rádio Educadora)
- Rosely Arantes (Coordenadora de Relações Sociais AGECOM)
- Luiza Bairros (Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade)
- Debatedoras: Valéria Lima e Sueide Kintê

12h30 Performance do Grupo Loucas de Pedra Lilás (Pernambuco)
13h Almoço – Show da cantora Rebeca Tárike

14h30 Talk Show “Mídia feita por mulheres: comunicação criativa com educação e entretenimento quais são os caminhos possíveis?”
- Rita Batista (Apresentadora da TV Bandeirantes)
- Cleidiana Ramos (Jornalista/ jornal A Tarde)
- Ceres Santos (Jornalista e Diretora Executiva do Ceafro)
- Andréia Beatriz (Médica e Professora da UEFS)

18h Performance do Grupo Loucas de Pedra Lilás (Pernambuco)

18h30 Encerramento com apresentação cultural, lançamento do livro e DVD Controle Social da Imagem da Mulher na Mídia

Mais informações:
Sueide Kintê: (71) 8145-5297
Valéria Lima: (71) *******
Juliana Dias (71) 8846-3536

mulheremidiabahia@gmail.com

http://mulheremidiabahia.blogspot.com

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Almiro Sena lança livro nesta terça-feira

Com informações de A Tarde

O promotor de Justiça Almiro Sena lança nesta terça-feira o livro A Cor da pele: na sociedade racista do Brasil, o normal é ser branco. O lançamento será às 19 horas, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Salvador.

Antes do lançamento, o público assistirá à palestra intitulada Os Direitos Humanos sob a perspectiva étnico-racial. O livro traz como principal abordagem a negação do preconceito e da discriminação racial no Brasil e tem como base a tese de dissertação de mestrado do autor.

Almiro Sena, atualmente coordenador do Centro de Estudos e Aperfeiçamento Funcional do Ministério Público, foi titular da Promotoria de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Eventos comtemplam o Dia da Consciência Negra

Fonte: A Tarde

Neste sábado (20), dia dedicado a Consciência Negra, vários eventos acontecem em Salvador com o intuito de conscientizar a sociedade contra o racismo e outras práticas de discriminação. No subúrbio ferroviário, por exemplo, acontece a 7ª Caminhada em Exaltação ao Dia da Consciência Negra – Marcha Maria Felipa.

Promovida pelo Movimento de Cultura Popular de Subúrbio, a caminhada terá inicio às 9h da manhã, com saída do bairro de São João do Cabrito, até o Parque São Bartolomeu. O evento vai contar com a participação de estudantes de escolas públicas e associações, bem como militâncias do movimento negro.

Para o coordenador do Movimento de Cultura Popular de Subúrbio, Raimilton Carvalho, este é um dia de grande importância e de evidência de todas as lutas e conquistas do movimento negro, desde Zumbi dos Palmares até os dias atuais. “O dia da Consciência Negra representa um momento de dar visibilidade a todas as conquistas. Esse é um momento de reflexão e de visibilidade dessas lutas”, comenta.

Ainda neste sábado, além da caminhada no subúrbio, também vão ser realizadas a X Caminhada da Liberdade, entre o bairro da Liberdade e o Centro Histórico, a partir das 16h; e a Marcha do CONEN, que vai acontecer entre o Campo Grande e o Centro, também a partir das 16h.

Outros eventos para chamar a atenção para a questão negra estão sendo realizados durante todo o mês de novembro e também no início de dezembro. Palestras, exposições, caminhadas e outras ações afirmativas são promovidas pela Secretária Municipal da Reparação (SEMUR).

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Caminhada contra a intolerância

Depois de uma série de atentados contra as religiões de matriz africana em nosso estado, teremos um dia para nos reunirmos e demonstrar a nossa insatisfação e exigir publicamente providencias e reparação das autoridades competentes. Conforme o esperado, está confirmada, pelo povo de santo do Engenho Velho da Federação a 6ª edição da Caminhada contra a violência, intolerância religiosa e pela paz.

A caminhada será na próxima segunda-feira, dia 15 de novembro, e a concentração começa às 14 horas no final de linha do Engenho Velho da Federação onde fica o busto em homenagem a Doné Ruinhó. Obrigatoriamente, o traje deve ser branco.

O evento começou há seis anos diante do crescente numero de agressões a terreiros de candomblé, principalmente, induzidas por representantes de igrejas neo pentescotais. A marcha segue pelas principais ruas do bairro e faz um chamado a que toda a comunidade participe da construção de uma cultura de paz e tolerância com o próximo. Portanto, compareça e faça a sua parte, mostrando a força do povo de Axé.

O Engenho Velho da Federação é conhecido pela alta concentração de templos religiosos das várias vertentes das religiões afro-brasileiras.


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Quando Eu Me Chamar Saudade

Composição: Nelson Cavaquinho/Guilherme de Brito

Sei que amanhã
Quando eu morrer
Os meus amigos vão dizer
Que eu tinha um bom coração
Alguns até hão de chorar
E querer me homenagear
Fazendo de ouro um violão
Mas depois que o tempo passar
Sei que ninguém vai se lembrar
Que eu fui embora
Por isso é que eu penso assim
Se alguém quiser fazer por mim
Que faça agora.

Me dê as flores em vida
O
carinho, a mão amiga,
Para aliviar meus ais.
Depois que eu me chamar saudade
Não preciso de vaidade
Quero preces e nada mais

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Eu Apenas Queria Que Você Soubesse

Gonzaguinha


Eu apenas queria que você soubesse

Que aquela alegria ainda está comigo

E que a minha ternura não ficou na estrada

Não ficou no tempo presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse

Que esta menina hoje é uma mulher

E que esta mulher é uma menina

Que colheu seu fruto flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta

Que hoje eu me gosto muito mais

Porque me entendo muito mais também

E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora

É se respeitar na sua força e fé

E se olhar bem fundo até o dedão do pé

Eu apenas queira que você soubesse

Que essa criança brinca nesta roda

E não teme o corte de novas feridas

Pois tem a saúde que aprendeu com a vida

Eu apenas queria que você soubesse

Que aquela alegria ainda está comigo

E que a minha ternura não ficou na estrada

Não ficou no tempo presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse

Que esta menina hoje é uma mulher

E que esta mulher é uma menina

Que colheu seu fruto flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta

Que hoje eu me gosto muito mais

Porque me entendo muito mais também


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

VOCÊTEM UM AMANTE?


"Muitas pessoas tem um amante e outras gostariam de ter um.

Há também as que não tem, e as que tinham e perderam".

Geralmente, são essas últimas que vem ao meu consultório,

para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insônia, apatia, pessimismo, crises de choro, dores etc.

Elas me contam que suas vidas transcorrem de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar seu tempo livre.

Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança.

Antes de me contarem tudo isto, elas já haviam visitado outros consultórios, onde receberam as condolências de um diagnóstico firme: "Depressão", além da inevitável receita do anti-depressivo do momento.

Assim, após escutá-las atentamente, eu lhes digo que não precisam de nenhum anti-depressivo; digo-lhes que precisam de um AMANTE!!!

É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem meu conselho.

Há as que pensam: "Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa dessas"?!

Há também as que, chocadas e escandalizadas, se despedem e não voltam nunca mais.

Àquelas, porém, que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico o seguinte: "AMANTE" é aquilo que nos "apaixona", é o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono, é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir.

O nosso "AMANTE" é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida.

Às vezes encontramos o nosso "AMANTE" em nosso parceiro, outras, em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis.

Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente, na boa mesa, no estudo ou no prazer obsessivo do passatempo predileto....

Enfim, é "alguém!" ou "algo" que nos faz "namorar a vida" e nos afasta do triste destino de "ir levando"!..

E o que é "ir levando"?

Ir levando é ter medo de viver. É o vigiar a forma como os outros vivem, é o se deixar dominar pela pressão, perambular por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastar-se do que é gratificante, observar decepcionado cada ruga nova que o espelho mostra, é se aborrecer com o calor ou com o frio, com a umidade, com o sol ou com a chuva.

Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje, fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão, de que talvez possamos realizar algo amanhã*.

Por favor, não se contente com "ir levando"; procure um amante, seja também um amante e um protagonista DA SUA VIDA!

Acredite:

O trágico não é morrer, afinal a morte tem boa memória, e nunca se esqueceu de ninguém. O trágico é desistir de viver...

Por isso, e sem mais delongas, procure um amante ...

A psicologia após estudar muito sobre o tema, descobriu algo transcendental:

"PARA ESTAR SATISFEITO, ATIVO E SENTIR-SE JOVEM E FELIZ, É PRECISO NAMORAR A VIDA".

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Morre Lentamente

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos. Quem não muda de marca,

não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru. Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar. Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar.

Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.”

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Coisa de mulher

Hoje uma frase que me fez pensar: Isso é coisa de mulher...

Mas o que pode ser definido como coisa de mulher?

Amar?

Lamentar um amor perdido ou conviver na dor de uma paixão?

Mas “dor de paixão” existe? - perguntaria um rapazinho.

Por incrível que pareça existe sim.

Quando a gente ama, muitas coisas ficam sem respostas.

Não entendemos o que parece obvio.

Mas tentar achar respostas, não é coisa de mulher?

Talvez seja, mas nem os homens (que acham que tem respostas pra tudo)

sabem o que fazer para aliviar uma saudade.

Acham que sabem tudo... quase tudo, ou melhor, praticamente nada.

Afinal, aos 26 anos, numa noite gostosa de quarta-feira,

Me dou o direito de avaliar o que realmente, há de ser coisa de mulher:

Falar de amor,

Permitir-se chorar,

Se jogar de cabeça numa relação mesmo sabendo que pode se machucar

Ser sensível no trato com as pessoas,

Arrumar-se por fora e ter a sensação de ter se arrumado por dentro.

Gargalhar para esconder uma lágrima

Desabafar com o espelho e com o travesseiro,

Ouvir uma canção, como se falasse as palavras dela para alguém

Sentir saudade, mas sentir-se leve, por não doer mais como doía antes.

Ah, e como doía...

Hoje, dói mesmo é a lembrança, mas dela eu tento curar,

com remédios que descobri sozinha.

A distância é um deles.

E apesar de ser um substantivo feminino,

Saudade não é coisa de mulher.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Bahia perde Saul Barbosa


A Bahia amanheceu mais triste nesta quarta-feira (15). Durante a madrugada, os baianos perderam o músico Saul Barbosa, de 57 anos, um dos maiores compositores do estado. Ele sofria de insuficiência renal e estava internado há meses no Hospital Espanhol, em coma induzido. O corpo do músico será cremado às 10h desta quinta-feira (16), na sala D do cemitério Jardim da Saudade. Saul deixa uma filha de 38 anos.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Complicada e perfeitinha?



No auge dos seus vinte e poucos anos, ela tinha tudo para ser a mulher mais que perfeita.
De boa familia, é a caçula e bem educada.
Não é odiada por muitos, só pelos que a invejam.
Rodeada de amigos, vive sempre com um sorriso nos lábios...
Ah, que sorriso...
Quem a conhece, diz que este é o seu referencial.
Largo, dentes brancos, halito puro, Labios grossos e bem rosados.
Faz bem ate´para os ouvidos,
Já que a sua gargalhada é contagiante.
Olhos de jabuticaba, mãos quentes sempre afagam.
Bem humorada, faz de tudo para fazer bem a quem esta por perto.
Amiga dos amigos, não fica sossegada quando alguem está triste.
Mas tem seus dias de estresse, mas não briga. Chora, conversa, e por isso muitos a acham chata na TPM.
Faz da propria vida, uma grande historia e não liga para rotulações.
Prefere o hoje, o agora, mas nem por isso, deixa de sonhar.
E meiga, carinhosa e ainda acredita no amor...(sabe que um dia pode deixar de acreditar, mas por enquanto...)
Quebra a cabeça, se vira nos trinta e ao final do dia, ainda consegue ser parceira.
Não sabe tudo de cozinha,mas se esmera que e uma beleza!
E o melhor: no final, da tudo certo. Fica tudo uma delicia.
O cheiro, ah, inigualavel...não, não da comida.
Do corpo, não perfeito, mas cheio de curvas e que enche os olhos, a cama e chama a atenção de quem valoriza a verdadeira essência feminina.
Do cabelo, que traz os cachos mais que perfeitos,
Mas que de vez em quando ela os esconde,
Para criar um clima de misterio, e ao mesmo tempo, de sedução,
Ao se apresentar, a cada dia, como uma mulher diferente.
E que desafia o dom de seduzir de quem esta do lado.
Filha da mais doce mae, a mae das aguas, que lhe dá muitos de seus atributos
Tem um pai que marca sua personalidade. Forte, muito forte.
Determinada, mas respeitando o espaço alheio - ainda que as vezes se pegue no flagra!
Que coisa feia...mas e humana, fazer o quê???
Como se não bastasse, ainda é inteligente
E busca se aperfeiçoar a cada dia no que faz.
Ah...essa é a a mulher que ele sempre sonhou. E existe.
Mas ele não sonha mais.
Não que ela tenha mudado,
Concerteza foi ele. e ai, jaz...
Prefere o real.
Pode ser mais facil lidar,
com o que, nem diferença faz.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Horas longas

Outro dia uma amiga me perguntou por que era tão difícil tomar decisões, opções que passamos o tempo todo a fazer na vida.
A resposta ela mesma deu.
- Eu já decidi, apenas reluto em aceitar. E enquanto não aceitar, sei que estarei vivendo no passado. Vivendo com alguém que já não é mais. Com coisas que já sei que não me agradam. Viverei com restos de algo que já morreu, e que insiste em ocupar gavetas de minha alma.
Ela tinha razão. E sabia que o tempo lá fora seguia marcado por outro relógio. Por outro ritmo, por outras cores e estações.
Ela me contou que caminhava absorta pela rua, como se encapsulada numa imensa capa. Não podia sair, caminhar entre os demais, respirar o mesmo ar que todos respiravam. Sentia-se presa numa prisão que ela mesma construíra, com medos, indefinições, dúvidas que ela própria criara.
Seria apenas ela a caminhar daquela forma?
Ela me disse mais:
- Percebi que outras pessoas andavam com olhares assustados, reféns de suas prisões particulares. Cada qual vivendo em passados distintos, estanque em dimensões indefinidas.
Minha amiga me chamou a atenção para o inferno onde ela insista em mergulhar mais fundo. Uma fuga que a trazia de novo, e sempre, para o útero de suas indefinições.
Fiquei a pensar se não seríamos todos assim. Se não passamos boa parte da vida em dimensões diferentes, jogados entre tempos passados e desejos futuros.
Decisões que já tomamos, mas não acatamos. Portas que já abrimos, mas que relutamos em passar através do batente.
Pessoas assim são reféns de um paradoxo: o relógio marca horas mais longas, ao mesmo tempo que as pune com vidas mais curtas...

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

terça-feira, 24 de agosto de 2010

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Incondicional

Gostoso até embaixo


porCristielle França

Depois de experiências inusitadas, chego a uma conclusão. A musica é capaz de quebrar barreiras antes inimagináveis e inatingíveis. Concluo que não existe musica boa ou ruim, tampouco musica desta ou daquela classe. O que existe é musicalidade, ritmo, embalo, sensações, batidas, balanço, corpos, enfim, pessoas. Advindas de diferentes pontos, com diferentes histórias, com metas e objetivos diferentes, todas se encontram num ponto especifico, para fazer a mesma coisa: requebrar.

Vou parar de poetizar e escrever o que percebi. Foram dois espaços, dois dias, dois momentos diferentes. Ir ao Salvador Fest foi inenarrável. Tudo já começou na saída de casa. Como dona de uma ousadia impar, fui vestida com a camisa colorida. Os olhares eram condenadores, como se dissessem: deus é mais, não acredito que você vai para essa festa!

Tudo bem. Segui rumo ao Parque de Exposições. Por opção, peguei o ônibus na Estação da Lapa. No fundão, as pessoas já aqueciam o gogó, e com os batuques, ensaiavam as letras das melodias mais tocadas nas rádios baianas.

Chegando lá, uma mega estrutura, com muitos palcos, opções para vários estilos: hip hop, funk, partido alto, além dele, o mestre de cerimônias: o popular pagodão.

Foi nesse espaço que tive a certeza que eu deveria escrever sobre isso, ao notar que vários símbolos, signos e sinais caracterizam o público que curte esse estilo musical. Parece uma farda, um estilo de vestimenta padrão.

Homens trajavam bermudão, camisa folgada, tênis largo, boné, brinco na orelha e o tradicional batidão. Já as mocinhas estavam caracterizadas assim: cabelos soltos ou presos – o importante é estarem com bastante umidificante ou gel grudando na testa. Maquiagem forte, com olhos e sobrancelhas bem marcados com lápis preto, e na boca, o companheiro gloss de todas as horas. As blusas do evento – todas remodeladas, no estilo frente única, faziam a combinação com a tradicional sainha da Cyclone. Alias: essa é a marca preferida dos que curtem o pagodão na periferia.

As batidas do tamborzão levam o público à loucura. Coreografias são reproduzidas, cada um a sua moda, a sua maneira. Mas o mais importante é não ficar parado. Ralando no chão, no asfalto, dando a patinha ou repetindo freneticamente o rebolation, as pessoas parecem não se importar com o que vão pensar ou com o que o ato possa significar aos outros. Elas se importam apenas em sentir o que o momento proporciona.

Mas essa não é a máxima da vida?

Pois é, ainda há quem critique esse comportamento por não ser o “politicamente correto...”. O evento se estendeu até o fim da noite de domingo. Excelente oportunidade para quem queria uma fuga de um dia comum. Eu consegui. Fugi.

O contraponto de alguns comportamentos viria semanas depois. Numa quarta-feira, os Barões atraíram os baroezinhos da Orla – me perdoem pelo trocadilho barato. Na Madre, a banda realizava o que se convencionou chamar de ensaio (ensaiam pra quê mesmo?). Mas eu fui. Fui como convidada a cobrir a festa enquanto integrante da equipe do "Gostoso ate embaixo". Isso mesmo...O blog é novo, mas tem um nome super sugestivo e que dispensa apresentações.

Marcada para as 22h, a festa só começou as 0h30. Tudo bem, afinal era dia do Jogo entre Vitória e Santos, primeiro jogo da final da copa do Brasil, no Pacaembu, que distraia o público enquanto o show não começava. Depois de muita espera, num espaço com muito neon, Patricinhas e Mauricinhos estavam por toda a parte. Quem não era, tentava se portar como tal para pertencer àquele meio. Eu não me importava com isso. O espaço começou a ser tomado, foi enchendo e quando o Raghatony começou a tocar, já tinha bastante gente aquecida ao som das músicas de boate.

Depois de muita agitação, os BARÕES começaram enfim a tocar. A Madrre já estava lotada. A elite do pagodão estava muito bem vestida para a ocasião. Ao invés de cyclone, viase roupas, perfumes e tênis importados, maquiagens bem feitas e tênis recem lançados. Como se não bastasse, depois das entrevistas, uma cena me chamou a atenção: em meio à gente quebrando até embaixo, e derretendo a produção, uma mesinha de destacava: Um balde champanhe com patys e meuricios ao redor, ao invés de cnsumirem a idolatrada latinha de cerveja de1 real.

Foi demais pra mim! Infelizmente, no melhor da festa, tive que pedir PPU. Em plena Madrugada de quinta-feira, saíamos da festa, feita para os abastados, que não precisam acordar cedo no dia seguinte para bater o ponto. Eu precisava, e preciso, por isso sai de lá querendo retornar para avaliar melhor o comportamento humano. Por enquanto, o que pude notar foi o seguinte: as diferenças sociais são sensíveis até no pagodão. Porém, ele rompe os limites culturalmente estabelecidos, de que existe música especifica para cada grupo social. O pagodão rompe esses limites, invade o mundinho das elites, e ainda que regados a champanhe, os nascidos em berço de ouro quebram gostoso até embaixo, e com a mão na cabeça pra não perderem o juízo.

Sentir-se amado

Por Cristielle França

O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.
Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.
Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.
A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?
Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.
Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho".
Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato."
Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.
Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.

domingo, 18 de julho de 2010

terça-feira, 13 de julho de 2010

Toda mulher é meio Eliza Samudio

POR JEAN WYLLYS

O desaparecimento de Eliza Samudio, a moça que teve um filho com o goleiro e capitão do Flamengo, Bruno, e que, agora, é dada como morta pela polícia que investiga o caso; este desaparecimento e sua cobertura por parte da mídia chamaram a minha atenção não por ser o tal do Bruno aquele apontado como o principal responsável pelo sumiço da moça (meu interesse por futebol não chega ao ponto de eu saber quem é o capitão do Flamengo), mas, sim, pelo fato de a internet, desde o momento em que a polícia levantou a hipótese de Eliza ter sido assassinada pelo goleiro, vir sendo invadida por comentários machistas que buscam desqualificar a vítima para, assim, “justificar” o crime que lhe tirou a vida. Como homem homossexual solidário às mulheres, eu me interessei pela repercussão do caso Eliza Samudio por perceber, nos comentários que lhe acusam de “Maria Chuteira”, “puta” e “atriz pornô”, entre outros mimos, não só aquela violência ordinária, construída ao longo dos anos em que uma menina se transforma em mulher e aprende a se tornar vítima, ou aquela violência mortal que, por exemplo, pôs fim à vida de Eliza, mas, principalmente, por perceber aquela violência sistemática dirigida contra todas as mulheres e que se expressa primeiramente na linguagem. É claro que a grande maioria destes xingamentos que objetivam desqualificar a vítima para “justificar” ou “explicar” a barbárie que lhe abatera partiu de homens, alguns deles fanáticos por futebol ou pelo Flamengo, mas muitos vieram também de outras mulheres, o que mostra que a dominação masculina é eficaz também por fazer, de muitas mulheres, machistas de plantão e inimigas de si mesmas. Depois de demorada e criteriosa investigação a cerca do desaparecimento de Eliza, as polícias de Minas Gerais e do Rio concluíram que ela fora assassinada cruel e covardemente e divulgaram detalhes sórdidos e estarrecedores: a moça frágil teria apanhado ao ponto de pedir clemência aos seus algozes e, depois, estrangulada sob o olhar impassível de Bruno, goleiro do Flamengo, que, segundo a polícia, não só é o mentor deste crime hediondo como, após a conclusão do mesmo, sentou-se para beber cerveja e para falar de futebol. Estes detalhes me levaram às lágrimas e me tiraram o sono (Queria eu ser um super-homem para mudar o curso da história e salvar Elisa das mãos dos criminosos!), mas, a outros homens e mulheres, a divulgação dos detalhes sórdidos só serviu de estímulo para que continuassem a difamar a vítima na esperança de proteger não só um ídolo do futebol (e pensar que, na Escola do Flamengo, os futuros atletas idolatravam este tal de Bruno me dá arrepios!), mas, sobretudo, proteger o direito do macho sobre o corpo da mulher; sobre sua vida e sua morte. Indícios desta cumplicidade apareceram no fato divulgado pela imprensa de que os policiais e carcereiros da delegacia onde Bruno fora presa passaram a noite conversando amigavelmente com o acusado sobre futebol e viagens. Onde já se viu uma coisas destas? Será que esses policiais também concordam que “Maria Chuteira” que engravida de jogador rico e, depois, cobra-lhe uma pensão merece apanhar até morrer e, por fim, ser desossada e atirada aos cães? Será que eles disseram isto para o goleiro? Daí para Bruno ser inocentado é um pulo! O assassinato de Eliza Samudio – principalmente por ser, o acusado de ter planejado este crime, rico e famoso porque capitão de um time de futebol popular – traz à luz, de alguma maneira, as violências semelhantes a que são submetidas outras mulheres, e que, embora sabidas, não se tornam públicas. Mulheres que, como ela, eram cheias das esperanças e ilusões que povoam a alma, qualquer alma. Toda mulher é meio Eliza Samudio! Como homem solidário às mulheres (até porque tenho uma mãe, duas irmãs e muitas amigas que eu amo), eu espero pelo dia em que a notícia do assassinato brutal de uma mulher não sirva para que machistas e misóginos esmiúcem os detalhes de sua vida íntima com o intuito de desqualificá-la e, assim, “justificar” sua morte, mas, sim, que sirva de libelo contra a covardia da besta humana que praticou e/ou idealizou o crime.