quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Horas longas

Outro dia uma amiga me perguntou por que era tão difícil tomar decisões, opções que passamos o tempo todo a fazer na vida.
A resposta ela mesma deu.
- Eu já decidi, apenas reluto em aceitar. E enquanto não aceitar, sei que estarei vivendo no passado. Vivendo com alguém que já não é mais. Com coisas que já sei que não me agradam. Viverei com restos de algo que já morreu, e que insiste em ocupar gavetas de minha alma.
Ela tinha razão. E sabia que o tempo lá fora seguia marcado por outro relógio. Por outro ritmo, por outras cores e estações.
Ela me contou que caminhava absorta pela rua, como se encapsulada numa imensa capa. Não podia sair, caminhar entre os demais, respirar o mesmo ar que todos respiravam. Sentia-se presa numa prisão que ela mesma construíra, com medos, indefinições, dúvidas que ela própria criara.
Seria apenas ela a caminhar daquela forma?
Ela me disse mais:
- Percebi que outras pessoas andavam com olhares assustados, reféns de suas prisões particulares. Cada qual vivendo em passados distintos, estanque em dimensões indefinidas.
Minha amiga me chamou a atenção para o inferno onde ela insista em mergulhar mais fundo. Uma fuga que a trazia de novo, e sempre, para o útero de suas indefinições.
Fiquei a pensar se não seríamos todos assim. Se não passamos boa parte da vida em dimensões diferentes, jogados entre tempos passados e desejos futuros.
Decisões que já tomamos, mas não acatamos. Portas que já abrimos, mas que relutamos em passar através do batente.
Pessoas assim são reféns de um paradoxo: o relógio marca horas mais longas, ao mesmo tempo que as pune com vidas mais curtas...

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

terça-feira, 24 de agosto de 2010