quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Diretor: A Tarde não recebe pressões do mercado imobiliário

Por Cláudio Leal/ Terra Magazine

O mais antigo jornal baiano em atividade, “A Tarde”, fundado em 1912 pelo ex-ministro do governo Getúlio Vargas, Ernesto Simões Filho, vive uma das suas mais intensas crises, num conflito dos jornalistas com o setor imobiliário de Salvador. Depois de publicar uma reportagem sobre crimes ambientais denunciados pelo MPF (Ministério Público Federal), numa obra realizada pelo governo baiano em parceria com as empresas Patrimonial Saraíba e Construtora NM, o repórter Aguirre Peixoto foi demitido pelo jornal.

Em protesto, a redação emitiu uma carta aberta e fará paralisações diárias de duas horas. Terra Magazine ouviu o diretor-executivo do Grupo A Tarde, Sylvio Simões, que procurou esclarecer o episódio. Segundo Simões, a demissão se deve “muito mais (a) uma questão de relações de poder interno, do que qualquer tipo de penalização por fazer qualquer tipo de matéria”. Ele rejeita a informação, que circula na blogosfera e nas redes sociais, de que o jornal recebeu pressões de empreiteiros.

- Obviamente, é bom que se saiba, A Tarde não sofre pressões, ninguém tem nos pressionado porque sabe da nossa conduta e do nosso comportamento. Foi muito mais um problema de relações da atividade empresarial, afirma Sylvio Simões.

O diretor-executivo desmente a venda de ações de “A Tarde” para empresas do mercado imobiliário, principalmente dos construtores Francisco Bastos e Carlos Suarez:

Não. Meu amigo, eu vou lhe dizer assim: se por acaso tiver uma ação à venda, do grupo A Tarde, eu e meu sócio compramos (risos).

Confira a entrevista.

Terra Magazine – O que ocorreu no episódio da demissão do repórter Aguirre Peixoto?

Sylvio Simões – Foi uma atitude da direção em relação a um redirecionamento da nossa atividade de comunicação. É só esse o ponto. É uma coisa que estão dando uma dimensão na qual não faz A Tarde. A Tarde tem uma posição muito clara, muito nítida, muito transparente, em relação aos seus propósitos. É um momento de mudanças muito grandes na empresa. O mundo está mudando e nós estamos mudando. As coisas estão se estabelecendo de uma maneira que, às vezes, há um nível de conflito interno, natural. A gente tem que tocar o barco. Obviamente, é bom que se saiba, A Tarde não sofre pressões, ninguém tem nos pressionado porque sabe da nossa conduta e do nosso comportamento. Foi muito mais um problema de relações da atividade empresarial.

O que a redação argumenta é que o repórter foi demitido depois de publicar uma matéria sobre a questão imobiliária, em Salvador. O que vocês dizem?

A razão não foi essa, foi muito mais uma discordância dentro da dinâmica da gestão da empresa. Por ventura, tentaram evidenciar uma carta dando exatamente esse sentido, que não é verdadeiro e o tempo vai exatamente demonstrar que foi muito mais uma questão de relações de poder interno, do que qualquer tipo de penalização por fazer qualquer tipo de matéria, seja em relação ao mundo imobiliário, em relação ao governo, em relação ao mundo agrícola. Sempre tivemos um princípio muito claro: nós temos um compromisso substantivo com a cidadania. Temos a obrigação na construção de um novo mundo civilizatório.

E por que Aguirre Peixoto foi escolhido?

Isso, na realidade, é que é lamentável. É lamentável que tenha acontecido essa questão com Aguirre, é lamentável. Mas a gente lamenta o que aconteceu com Aguirre, foi um desentendimento em relação à questão da visão diretiva do grupo. Isso pode ser reparado no futuro. Não agora, porque aí seria acatar uma posição diretiva de total discordância no centro de decisões da empresa.

Não há acordo com os jornalistas? Ele estão numa paralisação de duas horas.

Rapaz, eu acho que não. Eles estão obviamente conversando com o sindicato e amanhã nós vamos ter uma conversa exatamente explicitando todos esses pontos que estamos falando. Porque há uma Porque há uma afetividade muito grande dos jornalistas com A Tarde. Na realidade, foi muito mais um problema de ordem diretiva da empresa, do que estão tentando afirmar. A Tarde não tem nenhum tipo de problema natureza de problema com qualquer área da atividade econômica, porque nós temos uma independência muito clara e todo mundo sabe na Bahia disso.

Não houve um corte de anúncios do setor imobiliário?

Nunca houve corte de anúncios. Não é verdade. A construção civil, aqui no Estado da Bahia, neste ano que passou, os insumos subiram muito e houve uma redução da atividade imobiliária. Houve uma redução da atividade imobiliária. Isso aí, se você puder pesquisar, eu até lhe agradeço. Por exemplo, no governo também houve uma redução de publicidade. Porque, você sabe, nas eleições para governador e para presidente da República, fica limitada a possibilidade de fazer publicidade. Teve duas reduções: uma redução do mercado imobiliário, as construtoras pararam de construir como estavam fazendo; e tem a questão da retração do próprio governo. E na área de telefonia também houve um ajustamento.

E as notícias que estão nos blogs, de que A Tarde…

Essas notícias que estão nos blogs corre, exatamente, de uma posição adotada, antagônica à posição da direção.

O jornal não está à venda? Circula que o jornal estaria negociando a venda de parte das ações para o mercado imobiliário, com os empresários Francisco Bastos e Carlos Suarez.

Não. Meu amigo, eu vou lhe dizer assim: se por acaso tiver uma ação à venda, do grupo A Tarde, eu e meu sócio compramos (risos) Compramos na mesma hora. Eu mesmo to doido pra comprar. Se você conseguir aí alguns sócios pra eles venderem, eu compro? Então, a questão foi muito mais do fórum de conflito diretivo, do qual realmente a gente adotou uma posição. Lamentavelmente, surgiu esse problema, no momento em que estamos fazendo grandes mudanças. Estamos, por exemplo, montando uma nova concepção estratégica. Estamos nos preparando para a festa dos 100 anos. Uma máquina nova, um sistema de governança, com a empresa alinhada para os próximos 20 anos.

Como foi tomada essa decisão de demitir Aguirre? Isso não fica restrito à redação, à secretaria de redação?

Olha, houve uma discordância aí realmente. A parte do corpo diretivo…

Seu primo, Ranulfo Bocayuva?

Não vejo como uma questão de parente, não. Vejo como questão de executivos. Que é uma questão nossa, no primeiro momento. Na área dos executivos, realmente, a gente acabou tomando uma decisão majoritária e aconteceu esse episódio. Mas, obviamente, a gente desenhou a questão do comando da empresa em relação à política da qual a empresa tem estabelecido ao longo de todos os anos. A Tarde nunca teve uma posição sistemática. A Tarde sempre foi crítica, no momento de ser crítica, e no momento de se elogiar a gente elogia. A gente não pode adotar posições sistemáticas em relação a coisa alguma. Nesse novo Brasil, é preciso muito mais competência, porque você fazer as mudanças, as transferências de renda, com sensatez, é muito difícil. É o que a gente está tentando fazer aqui. Estou fazendo apenas uma analogia. Esse pano de fundo está sendo divulgado não é verdadeiro.

Como o senhor vê as críticas à expansão imobiliária em Salvador? É muito agressivo para a cidade?

Olha, essa questão imobiliária em relação à cidade de Salvador não advém de agora. Ela agora tomou uma dimensão maior. O que está faltando é um PDDU bem desenhado e bem definido. Isso cabe à atividade pública, à Prefeitura da cidade do Salvador. Ela precisa sentar com todos os atores e desenhar um plano que acolha a questão do meio ambiente e que acolha também a questão das pessoas. O grande problema do jornal brasileiro é que ele é absolutamente factual. O fato ninguém discute. Mas os jornais da Europa e da América do Sul são analíticos e críticos. Essa é uma grande discussão que a gente precisa ter. A gente não pode transformar o mercado imobiliário como se fosse uma coisa unívoca. Tem empresas que atuam com seriedade, com responsabilidade, etc., e tem outras que muitas vezes não atuam e precisam ser criticadas.

A Tarde vai continuar publicando matérias críticas em relação a essa expansão imobiliária?

Ah, sem dúvida, sem dúvida, desde que haja motivo e razão a gente vai tomar posição crítica em relação ao mercado imobiliário e em relação a qualquer mercado. Agora, o que nós temos levantado é o seguinte, em relação a todos os jornais, não só do Brasil, mas do mundo. A gente está perdendo leitores porque o mundo mudou de paradigma e a gente não mudou. Qual é o paradigma? Qualquer atividade é gratificante. Existe uma coisa mais bonita do que trabalhar para construir as coisas? Então, os jornais precisam começar a atividade de imóvel. E criticar a operação. O sujeito fez uma ponte errada? Você chega e baixa o cacete, porque a ponte foi mal construída. Sabe o que vai acontecer? Aqueles que constroem pontes erradas, até um Estado socialista vai dizer. Agora, se você transforma aquela ponte quebrada em todos os construtores de ponte constroem pontes ruins, aí é um problema. Até para a relação humana. A nossa reflexão é focar numa análise crítica. Isso é inabalável.

Aguirre foi demitido por causa do posicionamento editorial em relação à construção civil?

De forma alguma, foi muito mais por uma questão de discordância do corpo diretivo, que adotou uma posição. E essa posição não estava sendo estabelecida. As coisas estão caminhando dentro da dinâmica sistemática, e aí transformava todo mundo em japonês. Isso não é possível. A gente só é sistemático quando a gente não tem razão. Quando a gente tem razão, uma matéria bem dada resolve o problema.

Tem lhe incomodado o fato de os jornalistas falarem da vinculação da família Simões com negócios imobiliários?

Não há vinculação nenhuma. Não temos nenhum negócio no mercado imobiliário.

Eles falam de uma empresa de venda de imóveis de sua família.

Nós não temos nenhuma empresa imobiliária. Se tem, é de minha mulher e eu não participo. O jornal, ao contrário, não traz nenhum benefício, nem também nenhum malefício à atividade dela. Por quê? Ela é uma empresa de porte, associada a uma empresa de São Paulo, é a segunda empresa da Bahia. É meu segundo casamento, portanto não tem nada a ver com meu negócio.

JORNALISTA É DEMITIDO POR CAUSA DE INTERESSES EMPRESARIAIS

Mais um absurdo no jornalismo baiano. O jornalista Aguirre Peixoto, que até então trabalhava no Jornal A Tarde, foi demitido após fazer uma matéria que denunciava o crime ambiental cometido por um grupo de empresários que teria realizado a construção do Parque Tecnológico de Salvador, na Avenida Paralela.

A matéria foi publicada no site e no jornal impresso, o que comprova que passou pelos superiores na cadeia de produção, que são os editores, chefes de reportagem, diretoria, enfim, aos que autorizaram a publicação da denúncia.

Entretanto, somente a cabeça do ultimo da escala, o que correu atrás da informação e assina o texto, foi demitido sob a alegação de ter cometido um erro grosseiro na reportagem, sem que este fosse apontado.

A denúncia é verídica e não há qualquer equivoco no que foi denunciado. Nós jornalistas já estamos nos mobilizando pela internet, mas precisamos ir além deste veiculo. Não o conheço pessoalmente, mas lamento a injusta demissão, já que hoje foi ele e, se esse jogo de interesses continuar de forma tão descarada, amanhã pode ser qualquer um de nós.

Nesta terça-feira, foi divulgada uma carta aberta à imprensa, jornalistas de A Tarde protestaram nesta terça-feira, 09, contra a demissão do repórter. O manifesto da Redação foi assinado por mais de 100 profissionais.

Leia a Carta:

“Hoje é um dia triste para não só para nossa história pessoal, mas também para A TARDE e, principalmente, para o jornalismo da Bahia. Um dia em que A TARDE, um jornal quase centenário e que já foi o maior do Norte e Nordeste e que tinha o singelo slogan “Saiu n´A TARDE é verdade” se curvou. Cedeu a pressões econômicas difusas e demitiu um profissional exemplar.

Aguirre Peixoto teve a cabeça entregue em uma bandeja de prata a empresas do mercado imobiliário em uma tentativa de atração/reaproximação com anunciantes deste setor. Tentativa esta que pode dar certo ou não. Uma medida justificada por um suposto “erro grosseiro” não reconhecido pela Diretoria de Jornalismo, pelo Editor-Executivo, pelo Editor-Chefe, por secretários de Redação, Editor Coordenador ou editores de Política.

Uma medida, enfim, que só pode ser entendida como uma demonstração de força excessiva, intimidatória à autoridade da Direção de Jornalismo, à Coordenação de Brasil e à Editoria de Política. Uma demonstração de força desproporcional, porque forte não é aquele que age com força contra algo ou alguém mais fraco. Forte seria enfrentar, como o jornalismo de A TARDE estava enfrentando, empresários que iludidos pela promessa do lucro fácil e rápido põem em risco recursos financeiros de consumidores, o meio ambiente da cidade e que aviltam, desta forma, toda a cidadania soteropolitana.

Aguirre era o elo mais fraco da corrente. Acima dele havia editores, coordenador, secretários de redação, editor-executivo, editor-chefe, diretor de Jornalismo. Todos, em alguma medida, aprovaram a pauta, orientaram o trabalho de reportagem e autorizaram a publicação da reportagem. Isso foi feito sem irresponsabilidades, pois não foi constatado nenhum erro, muito menos um “erro grosseiro”. Se algum erro foi cometido, o erro foi o da prática do jornalismo, uma atividade cada vez mais subversiva em época em que propositadamente se misturam alhos e bugalhos para confundir, iludir, manipular a opinião publica, a sociedade, a cidadania. É de se estranhar que uma empresa que se coloca como defensora da cidadania aja de tão vil maneira contra um de seus melhores profissionais.

Recapitulando, Aguirre foi pautado para dar sequência às reportagens que fazia sobre a Tecnovia (antigo Parque Tecnológico). O fato novo era uma liminar concedida pela 10ª Vara Federal em que cassava multa aplicada ao empreendimento pelo Ibama. Era essa a pauta. No dia seguinte, a Tribuna da Bahia publicou matéria em que dizia que a liminar (decisão que pode ser revista) acabava com o processo criminal contra o empreendimento, que envolve Governo do Estado e duas poderosas construtoras. A matéria de A TARDE – dentro do padrão de qualidade que um dia fez deste um jornal de referência – ouviu o MPF e mostrou que se tratavam de dois processos distintos. O da multa, que foi cassada liminarmente e que o MPF afirmava que recorreria da decisão; e o criminal, que continuava em tramitação normal. A matéria de A TARDE estava tão certa que o MPF, posteriormente, publicou nota oficial na qual desmentia o teor da reportagem da Tribuna da Bahia (jornal que serve a interesses não republicanos, para dizer o mínimo). Essa foi a razão suficiente para o repórter ter a cabeça entregue como prêmio a possíveis anunciantes.

O interesse público? A defesa da cidadania? O histórico ético, de manchetes exclusivas, de boas e importantes reportagens? Nada disso importou a A TARDE. Importou a satisfação a um grupo de empresários, a uma, duas ou três fontes insatisfeitas. Voltamos a tempos medievais, quando fontes e órgãos insatisfeitos mandavam em A TARDE, colocavam e derrubavam profissionais. Tempo em que o jornalismo era mínimo.

“Jornalismo é oposição. O resto é balcão de secos e molhados”. Essa é uma famosa frase de Millor Fernandes. Dispensado o radicalismo dela, é de se ter em mente que Jornalismo é uma atividade que incomoda. Defender o conjunto da sociedade, seu lado mais fraco, incomoda. É preciso que a Direção de A TARDE entenda que a sustentabilidade do negócio jornal depende do seu grau de alinhamento com a sociedade civil (organizada e, principalmente, desorganizada). A força de um veículo de comunicação não está nos números de circulação ou de de anunciantes, mas nas batalhas travadas em prol dos direitos coletivos e individuais diariamente aviltados pelo bruto e burro poder econômico.

Credibilidade é um valor que se conquista um pouco a cada dia e que se perde em segundos. E, graças a ações como esta, a credibilidade de A TARDE escorre pelo ralo a incrível velocidade, assim como sua liderança, assim como seus anunciantes. Sem jornalismo, o jornal (qualquer jornal) pode sobreviver alguns anos de anúncios amigos. Mas com jornalismo, um jornal sobrevive à história”.

Eis a denúncia que originou lamentável episódio:

Tecnovia é denunciada por crime ambiental na Paralela

Aguirre Peixoto l A TARDE

A denúncia baseia-se em investigação da PF, que constatou que a construção devastou a vegetação

O Ministério Público Federal denunciou à Justiça Federal crimes ambientais na construção do Parque Tecnológico de Salvador, na Avenida Paralela. A obra é realizada pelo governo baiano em parceria com as empresas Patrimonial Saraíba e Construtora NM. No processo, o procurador Danilo Cruz pede a prisão dos proprietários das empresas e do ex-secretário de Ciência e Tecnologia Ildes Ferreira, além da aplicação de multa.

Constam como réus, além de Ildes, o proprietário da NM Construtora, Nicolau Martins, e os quatro representantes da Saraíba: Carlos Suarez, Francisco Bastos, André Duarte Teixeira e Humberto Riella Sobrinho.

A denúncia do MPF foi feita em 29 de novembro e baseia-se em investigação realizada pela Polícia Federal. Esta constatou que a construção do Tecnovia, como foi batizado o Parque Tecnológico, devastou vegetação em área de preservação permanente (APP) e espécies típicas da Mata Atlântica, o que é enquadrado como crime pela lei 9.605 (que trata de infrações ambientais).

Licenciamento - O processo ainda diz que a supressão de vegetação desobedeceu aos trâmites de licenciamento ambiental. A obra possuía um alvará, emitido em junho de 2008 pela então Superintendência de Parques e Jardins (ligada na época à Prefeitura de Salvador), que necessitava de uma autorização posterior do Instituto do Meio Ambiente (IMA) para sua efetivação.

A derrubada da vegetação, no entanto, teria começado antes desse aval do IMA, segundo a denúncia. O próprio IMA já havia constatado essa irregularidade, o que gerou uma multa de R$ 40 mil paga pela Secti. A lei de crimes ambientais prevê detenção de um a três anos pelas irregularidades denunciadas, além da aplicação de multa.

A 17ª Vara Criminal da Justiça Federal, onde foi protocolada a denúncia, ainda não notificou os réus. Mesmo assim, procurados pela reportagem, eles afirmaram que a supressão de vegetação só começou após os processos de licenciamentos adequados.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

07.02.11:Carybé completaria 100 anos

Ao todo, Carybé fez mais de 5 mil trabalhos entre pinturas, desenhos, esculturas e esboços. Uma parte da obra dele está no Museu Afro Brasileiro de Salvador. São 27 painéis representando os orixás do candomblé da Bahia.