por Ana Kessler |
Ela ganhou o BBB. E nós vencemos. Nós, mulheres donas dos nossos desejos
Maria ganhou o BBB. E nós vencemos. Nós, mulheres donas das nossas vontades, desejos, tentativas e erros. Nós que nos apaixonamos pelo lobo mau maudivertido, falante e machista. E o machismo não tem mais espaço no conto moderno nosso de cada dia. Graças a nós mesmas, que o abolimos e nos libertamos.
Maria Melilo foi Madalena, jogou-se nas fogueiras das paixões, assumiu seu cio. E atire a primeira pedra quem nunca pecou. Ou quis pecar. Todas pecamos mas, olha que coisa, não cremos mais
Somos humanas, frágeis, tolas, fracas. E somos fênix,renascemos das cinzas, ágeis, fortes. Erramos e aprendemos com os deslizes. Rimos. Buscamos ajuda - nem que seja autoajuda. Lemos, trocamos ideias, confidências, ouvimos umas às outras. Experimentamos. Às vezes dá certo. Outras não dá. Damos.
E vem príncipe encantado e vão-se desencantos e não acreditamos nele, mas esperamos um dia, quem sabe... Somos clareza e contradição. Hormônios e coração. Ebulição. Somos ar, água e gelo.Derretemos. Não tentem nos desvendar pois não temos segredos. Nossos mistérios são mutantes, o que era não é, e o que é, já foi. E será diferente.
Mais que mulheres, somos deusas. Rainhas. E serviçais, por que não? Somos o que escolhemos ser. Messalinas, virgens, molecas, meninas, mães e, acima dos nossos quereres, fêmeas. Dentro de nós corre a essência feminina, o dom da criação, do recriar-se. Geramos vida. Vivíssimas.
Aceitamos o que somos e não aceitamos mais o que acham que deveríamos ser. Somos mais que Amélias, mulheres de verdades. Somos bem remuneradas e donas do nosso nariz. Solteiras, casadas, separadas, nosso estado civil é nosso estado de espírito. Fiéis aos nossos instintos, damos rédeas à imaginação, rédeas soltas, claro. Ou, por opção, bem justas.
Aliás, temos um grande senso de justiça. Mas no nosso tribunal não cabem julgamentos. O veredicto é a felicidade. Queremos e buscamos ser felizes. Senão, viver pra quê? Sim, somos dramáticas. Rios de lágrimas lavam nossa pele e matam a sede. Bebemos. Falamos bobagens. Assumimos culpas alheias só para ficarmos
Mas sim, somos perfeitinhas. Autoestima é tudo, dizem. Acreditamos. Beijamos sapos, retocamos o batom. Fazemos mandinga, lemos horóscopos. Somos estrelas. Brilhamos. E rezamos, pedimos, agradecemos, enlouquecemos, deixamos doida a concorrência. Eles doidos. Que loucura!
Como Maria, com o apoio de milhões de votos, nós mulheres-fêmeas do século 21 somos a extinção da espécie e a renovação. Matamos o que fomos e nos tornamos a essência do que vamos ser. Enquanto isso, vamos vivendo nosso reality show diário. Vamos Mariando, simplesmente sendo. Campeãs.
