sexta-feira, 28 de junho de 2013

Cabeleira, cabeluda, descabelada


Eu sou uma das pessoas que se sentem mais a vontade para falar sobre esse que é tido como a verdadeira moldura do rosto, principalmente o feminino. Já fiz de um tudo com os meus: na infância, minha mãe dava ferro – pra quem não sabe, deixa eu explicar: Numa época que não existia a pranchinha, eu sentava na cozinha e ela, pacientemente, esquentava um pente de ferro no fogão e ia passando mecha por mecha. Na hora eu – que não tinha a menor noção de identidade, me sentia realizada, por ver os cabelos esticados e brilhantes. Mas o efeito também passava muito rápido: no auge dos meus 7 anos de idade, bastava correr ou dançar no aniversário de uma coleguinha pra o penteado se desmanchar e ver o cabelo se rebelar e ir voltando aos poucos a sua forma original...

Fui crescendo e experimentei de um tudo: Fiz permanente afro, dei escova com  pranchina – quando esta apareceu, usei alisantes e relaxantes de todas as marcas e passei pelo constrangimento de algumas pessoas a minha volta ficarem torcendo o nariz pq sempre fica aquele ranço do cheiro fortíssimo do produto...Além disso, ainda tem os efeitos colaterais desses produtos, como corte químico e vários buracos na cabeleira...um horror!

Ai, quando cansei, recorri aos cabelos postiços. E já usei de tudo: tranças, mega hair, dread, e tudo mais. Receitas caseiras já fiz todas: abacate, mel, ovo, óleo de rícino e tudo mais. Com o passar do tempo e amadurecimento foi que comecei a perceber o grande mal que estava fazendo ao meu cabelo com tantos experimentos. Com a ajuda de um amigo querido, cai na real e entendi que usar meu cabelo ao natural, poderia ser a melhor opção para acabar com essa agonia. Daí, fiz isso: fui num salão, cortei as pontas podre e passei a usar meu Black. No começo, a gente precisa relutar com os questionamentos do tipo: oxe, pq tirou seu mega? Tava tão bonito! Ou porque você não alisa seu cabelo? Ou pior: menina, se você desse uma escova nesse cabelo ia ficar lindo!
E ai eu passei a responder: não faço nada disso pq gosto dele assim, com esses cachinhos, que posso tomar chuva, sambar, dormir e acordar e ele estará do mesmo jeito, Sem precisar fazer manutenção a cada três meses para ter uma beleza bem distante da minha e mais próxima dos padrões predeterminados pela sociedade como bonitos.



Hoje uso o Black, mas não excluo a possibilidade de fazer arte nos cabelos. Quando  canso, faço um penteado diferente, tranço, coloco um dread de novo, mas não caio mais na asneira de ficar apodrecendo meus cabelos. Mas não condeno quem o faz. Por isso, vou dar algumas opções de lugares mais especializados em cabelos afros, aqui em salvador.
Vamos então a eles. Tem o mais conhecido, que é o Instituto da Beleza Natural, localizado no Largo do Tanque. Lá fazem de tudo, os preços não são altos e você pode comprar os produtos para fazer a manutenção em casa. Vale muito a pena!
Se quiser usar os postiços, como tranças e dreads, tenho algumas opções bem bacanas. Tem o salão Milmar, que fica no Largo dois de julho, no centro da cidade. as meninas são competentíssimas e cobram quase metade do que costuma se cobrar pela famosa do pelourinho.
Outra que manda bem no mega hair é o Afro Style, na Liberdade. A proprietária é megarrista, mas se quiser dar uma escova ou algo do tipo, ela faz com ou sem o mega na cabeça.
Ah, e se vc gostou da idéia de receitas caseiras, no youtube tem vários vídeos com dicas maravilhosas!
Mas, independente da escolha, o ideal é que a gente se sinta bem ao olhar no espelho e consiga se identificar com a imagem refletida. Quando a gente começa a se transformar em outra pessoa, a situação começa a ser preocupante. Quando olho minhas fotos do passo, fico feliz, por que sei que estou na minha melhor fase, consciente de quem sou e sem me preocupar com esses padrões pré-definidos nas principais propagandas de cosméticos... O principal é a gente se aceitar!