sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Mandela passou 27 anos preso antes de se tornar presidente


Nelson Mandela celebra na última quinta-feira, 11 de fevereiro, os 20 anos de sua libertação após passar 27 anos como prisioneiro do apartheid, o regime segregacionista que ainda deixa cicatrizes na cultura da África do Sul.
Primeiro presidente negro da nação africana, Mandela comemora a data em um país de democracia forte, mas que ainda precisa encontrar caminho para vencer a desigualdade social, a pobreza e o desemprego.
Veja os momentos mais marcantes da vida de Mandela

1918 - Nelson Rolihlahla Mandela nasceu em 18 de julho, perto da localidade de Qunu, em Transkei (hoje Cabo Ocidental). É o filho mais novo de um conselheiro do chefe do clã Thembu.
1944 - Mandela devotou sua vida à luta contra à dominação branca no país e deixou os estudos no começo da década de 40, na Universidade Fort Hare, para se dedicar à causa.
Neste ano, funda a Liga da Juventude do Congresso Nacional Africano (CNA), com Oliver Tambo e Walter Sisulu. No mesmo ano, se casa com sua primeira mulher, Evelyn, com quem teve uma filha e dois filhos. Eles se divorciaram em 1957.
1952 - Mandela é preso junto a outros ativistas sob o Ato de Supressão ao Comunismo. A prisão, contudo, não impede que seja eleito vice-presidente nacional do CNA.
1958 - Ele se casa com Winnie Madikizela, de quem viria a se separar em abril de 1992. O divórcio saiu apenas quatro anos depois.
1961 - Com 42 anos, Mandela era ativista político e boxeador peso pesado
Mandela estava entre os primeiros a advogar por uma resistência armada contra a segregação do apartheid. Em 1961, adotou uma vida clandestina para formar o braço armado do CNA, Umkhonto we Sizwe (A Lança da Nação).
1962 - Mandela deixa o país secretamente para treinamento militar na Argélia. De volta à África do Sul, é capturado e sentenciado a cinco anos por incitamento e por deixar ilegalmente o país.
1963 - Enquanto cumpria pena, Mandela é condenado por conspiração e sabotagem no Julgamento de Rivonia. Na época, transformou sua defesa em um testemunho político.
"Eu celebrei a ideia de uma sociedade livre e democrática na qual todas as pessoas vivem juntas em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal pelo qual espero viver e o qual espero alcançar. Mas se for necessário, é um ideal pelo qual estou pronto para morrer".
1964 - Em 12 de junho, Mandela e outros sete recebem pena de prisão perpétua em Robben Island, perto de Cape Town.
1990 - Frederik Willem de Klerk, último presidente branco da África do Sul, derruba o banimento ao CNA e outros movimentos de libertação em 2 de fevereiro. Nove dias depois, Mandela é libertado.
1991 - Mandela assume como presidente do CNA, partido que está no poder desde sua eleição, em 1994.
1993 - Em outubro, Mandela recebe o Prêmio Nobel da Paz ao lado de Klerk.
1994 - Em 10 de maio, um dia histórico para a África do Sul, Mandela assume como o primeiro presidente negro do país. Ele usa seu prestígio pela reconciliação e estabelece uma Comissão de Verdade e Reconciliação para investigar crimes de ambos os lados durante a luta antiapartheid.
1997 - Em dezembro, ele entrega a liderança do CNA para o então vice-presidente Thabo Mbeki, na primeira etapa da transferência de poder.
1998 - Em 18 de julho, Mandela celebra seu 80º aniversário com um casamento. Sua terceira mulher, Graca Machel, era viúva do presidente do Moçambique Samora Machel. Antes disso, contudo, o mundo divide a dor de um divórcio complicado de Winnie Mandela, em 1996.
1999 - Em 16 de junho, ele se aposenta e entrega o poder ao discípulo Mbeki, que considerava um líder mais jovem e melhor equipado para lidar com a economia moderna. Sua saída voluntária do poder foi vista como exemplo em um continente de ditadores de longa data.
O governo de Mbeki, contudo, foi marcado por polêmicas como questionar se o vírus HIV causava a Aids. Ele renunciou em setembro de 2008 por envolvimento em suposta conspiração para processar o presidente do partido, Jacob Zuma, eleito presidente em 2009, em um golpe a Mandela.

· ONU decretou 18 de julho o Dia Internacional Nelson Mandela

2004 - Com 85 anos, em 1º de junho de 2004, anuncia que vai reduzir sua agenda pública. Ele se recusa, contudo, a se aposentar e dedica a rotina ao combate ao número crescente de vítimas da Aids na África do Sul, levantando milhões de dólares em doações.
2005 - Em 6 de janeiro, seu único filho ainda vivo, Makgatho Mandela, morre vítima da Aids aos 54 anos. A tragédia amplia a dedicação de Mandela no combate à doença, transformando a batalha ainda mais em uma causa pessoal.
2006 - Em 1º de novembro recebe o prêmio de "Embaixador da Consciência" da ONG de direitos Anistia Internacional. O prêmio é reconhecimento por ser um guia moral em um mundo manchado pelos abusos de direitos humanos.
2007 - Em 18 de julho, Mandela comemora seu 89º aniversário lançando um grupo internacional de estadistas para avaliar os problemas do mundo, incluindo a mudança climática, Aids e pobreza. O grupo inclui ainda Desmond Tutu e Jimmy Carter.
Depois de pouco mais de um mês, em 29 de agosto, ganha uma estátua de bronze ao lado das que representam Winston Churchill e Abraham Lincoln na Praça do Parlamento, em Londres, no Reino Unido.
2008 - Com décadas de atraso, legisladores americanos retiram as referências a Mandela como terrorista do banco de dados nacional. No dia anterior, em 25 de junho, Mandela aproveita um discurso em um jantar em Londres para condenar "o fracasso trágico da liderança" no Zimbábue.
No mesmo ano, seu aniversário de 90 anos é celebrado por várias estrelas e cerca de 50 mil fãs no Hyde Park, em Londres. O ator Will Smith faz as honras de mestre de cerimônias do evento que serviu ainda para apoiar o grupo de caridade de combate à Aids de Mandela 46664 --número pelo qual era identificado na época de prisioneiro político.
2009 - Em 9 de maio, Mandela vai à posse do controverso Jacob Zuma.
Em 7 de agosto, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, se encontra com Mandela e diz ter "encontrado um tesouro perdido" em suas lições para futuras gerações.
Em 11 de dezembro, Mandela estreia nos cinemas americanos, interpretado por Morgan Freeman no filme "Invictus". A história relata como Mandela trouxe o campeonato de Rugby de 1995 para a África do Sul, utilizando o time para amenizar as tensões raciais no país.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

07 de fevereiro: dia do nascimento da Rainha Quelé

Uma das imagen mais marcantes da Rainha Quelé ou Ginga,
como Clementina de Jesus era conhecida.

A vida de Clementina de Jesus tinha tudo para ser igual à de milhões de pobres brasileiros se não fossem a sua insistência em cantar, a sua voz e o destino. Clementina nasceu no dia 07 de fevereiro de 1901 em Valença, no Rio de Janeiro e ainda menina, costumava acompanhar a mãe, uma lavadeira que gostava de cantar corimas, jongos, lundus, incelenças e modas, enquanto trabalhava. Foi provavelmente nesta época que aprendeu os cantos de escravos que, anos mais tarde, fariam a sua fama.

Com apenas dez anos, foi morar com a família em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Um vizinho, que sempre escutava a menina Clementina de Jesus cantando dentro de casa, ofereceu para a garota o papel de solista em procissões e festas religiosas. Após a morte do pai, a situação financeira da família ficou muito complicada e Clementina de Jesus não teve outra alternativa a não ser trabalhar como empregada doméstica, lavadeira e passadeira. Durante mais de 20 anos, esta foi a atividade que a sustentou.

Pouco tempo antes de morrer, em um depoimento, Clementina de Jesus disse que todos os integrantes da casa onde trabalhou como empregada doméstica gostavam de ouvi-la cantar, com exceção da proprietária, que dizia que a sua voz era irritante, por parecer um miado de gato. No final dos anos 20, passou a freqüentar blocos de Carnaval que, depois, seriam transformados em escolas-de-samba.Depois de dois casamentos, um deles com Albino Correia da Silva, o Pé Grande, um torcedor fanático da escola de samba da Magueira, o destino bateu à porta de Clementina de Jesus e a empregada doméstica deu lugar a uma cantora que marcou época na música popular brasileira.

Seu canto rouco e quase falado, fora dos padrões estéticos, conquistou a crítica, compositores, artistas e, principalmente, o povo. Um dos retratos do sincretismo brasileiro, Clementina de Jesus estabeleceu uma ponte entre o folclore dos terreiros de candomblé com a linguagem contemporânea. Finalmente, em 1964, quando já contava com 62 anos, a cantora teve a sua grande oportunidade profissional.

O compositor e produtor Hermínio Belo de Carvalho, que já tinha visto Clementina de Jesus se apresentar em bares do Rio de Janeiro, convidou-a para fazer alguns shows. No dia 7 de dezembro do mesmo ano, depois de ouvir um recital clássico (Mozart e Villa-Lobos), o público que lotava o Teatro Jovem, em Botafogo, ficou assustado ao ver entrar no palco uma cantora de voz anasalada, acompanhada por Paulinho da Viola, César Faria e Elton Medeiros.

O sucesso foi imediato, a ponto de Hermínio Belo de Carvalho criar o musical "Rosas de Ouro", que percorreu as principais capitais brasileiras. Chamada de "Tina" ou "Quelé" pelos amigos, Clementina de Jesus gravou mais de 120 músicas e participou de discos de outros artistas, como Milton Nascimento, por exemplo.

O compositor Paulinho da Viola, que teve duas músicas de sua autoria, "Essa Nega Pede Mais" e "Na Linha do Mar" incluídas no disco "Marinheiro Só", um dos maiores sucessos de Clementina de Jesus, contou em diversas entrevistas que a cantora era fascinante. "Tudo o que se fala de Clementina de Jesus não tem a dimensão da presença dela. Ouvi-la cantando, sentada, com o seu vestido de renda, era algo absolutamente fascinante, difícil de transmitir, de traduzir em palavras." Pobre, Clementina de Jesus morreu aos 85 anos, no dia 19 de julho de 1987.

Para ver e ouvir Clementina de Jesus, acesse o link: www.youtube.com.br/watch?v=RQMBOLzajEg