Parece engraçado, por não trazer nenhuma novidade, mas a cada dia que se passa percebo como as pessoas tem grande facilidade em hipervalorizar aquilo que por hora não faz qualquer diferença na própria existência e de minimizar aquilo que tem grande significado na nossa história.
Pode-se mensurar isso, nas nossas relações pessoais, nos textos que lemos, no linguajar que utilizamos, no que apreendemos psiquicamente, e mais ainda, na exaltação de certas datas que constam em nosso calendário nacional.
Comemora-se praticamente a cada mês uma nova data.
Janeiro tem o dia da confraternização universal - que muitas vezes não acontece.
Em fevereiro tem o carnaval - imprescindível para muita gente garantir a alegria e buscar a energia para todo o ano, gastando horrores em uma camiseta intitulada abadá.
Em março, ressaca do carnaval, com as micaretas
Em abril tem a páscoa - Vamos saudar o coelhinho e comer muito chocolate dando lucro as grandes empresas!
Junho tem santo que não acaba mais: Antonio, João e Pedro.
Julho a nivel estadual, temos o dia 2, dia da independencia da bahia, mas que, ao contrário do carnaval, não é considerado feriado.
Agosto, tem o dia dos pais - nada de meias, cuecas e gravatas: as propagandas existem e te convencem a comprar presentes cada vez mais sofisticados e modernos para o papai.
Outubro dia das crianças, vamos dar mais barbies para brincar de comidinha e video-games e colocar na cabecinha dos pequenos o padrão socialmente aceitável.
Novembro, dia de finados...lembra-se dos que se foram, mas apenas com base no catolicismo.
E em dezembro tem o natal, com direito ao papai noel da coca cola, neve as tão famosas renas... Mas em que isso tem a ver conosco, com a nossa história e com a realidade do Brasil.
Mas faltou maio...será que te algo em maio que esqueci?
Ao contrario da maioria dos brasileiros, não.
13 de maio é o dia que comemoramos, ou que deveriamos comemorar o dia da Abolição da Escravatura.
Agora em 2010, são 122 anos sem o regime escravocrata. Devemos isso a assinatura da Lei Áurea no dia 13 de maio de 1888.
Mas parece-me que pouca gente se lembrou. Ao contrário do que acontece nas outras datas, não há cadernos ou matérias especiais, abordagem diferenciada, nada... a impressão que tenho é que essa data não tem importância alguma para a nossa história.
sabemos que ainda existe muito preconceito e nós o vemos, sentimos, na pele literalmente.
E com essa postura da mídia, podemos apenas lamentar e tentar usá-la como estimulo,
Para chegarmos ao poder das grandes organizações, para podermos enfim fazer valer o framming e o agenda setting de acordo com os interesses do nosso povo negro, que representa grande parcela do povo brasileiro, ainda que a falta de consciência faça com que muitos identifiquem-se como moreno, cor de formiga, escurinho, dentre tantas nomenclaturas burlativas que criamos para nós mesmos. Assim mantemos nossas amarras às posições que exercemos num passado não tão distante.
Entristeço-me mas continua na expectativa de que essa situação poderá ser revertida, a partir do nosso próprio despertar.


