sábado, 15 de maio de 2010

E o que tem maio?



Parece engraçado, por não trazer nenhuma novidade, mas a cada dia que se passa percebo como as pessoas tem grande facilidade em hipervalorizar aquilo que por hora não faz qualquer diferença na própria existência e de minimizar aquilo que tem grande significado na nossa história.
Pode-se mensurar isso, nas nossas relações pessoais, nos textos que lemos, no linguajar que utilizamos, no que apreendemos psiquicamente, e mais ainda, na exaltação de certas datas que constam em nosso calendário nacional.
Comemora-se praticamente a cada mês uma nova data.
Janeiro tem o dia da confraternização universal - que muitas vezes não acontece.
Em fevereiro tem o carnaval - imprescindível para muita gente garantir a alegria e buscar a energia para todo o ano, gastando horrores em uma camiseta intitulada abadá.
Em março, ressaca do carnaval, com as micaretas
Em abril tem a páscoa - Vamos saudar o coelhinho e comer muito chocolate dando lucro as grandes empresas!
Junho tem santo que não acaba mais: Antonio, João e Pedro.
Julho a nivel estadual, temos o dia 2, dia da independencia da bahia, mas que, ao contrário do carnaval, não é considerado feriado.
Agosto, tem o dia dos pais - nada de meias, cuecas e gravatas: as propagandas existem e te convencem a comprar presentes cada vez mais sofisticados e modernos para o papai.
Outubro dia das crianças, vamos dar mais barbies para brincar de comidinha e video-games e colocar na cabecinha dos pequenos o padrão socialmente aceitável.
Novembro, dia de finados...lembra-se dos que se foram, mas apenas com base no catolicismo.
E em dezembro tem o natal, com direito ao papai noel da coca cola, neve as tão famosas renas... Mas em que isso tem a ver conosco, com a nossa história e com a realidade do Brasil.
Mas faltou maio...será que te algo em maio que esqueci?
Ao contrario da maioria dos brasileiros, não.
13 de maio é o dia que comemoramos, ou que deveriamos comemorar o dia da Abolição da Escravatura.
Agora em 2010, são 122 anos sem o regime escravocrata. Devemos isso a assinatura da Lei Áurea no dia 13 de maio de 1888.
Mas parece-me que pouca gente se lembrou. Ao contrário do que acontece nas outras datas, não há cadernos ou matérias especiais, abordagem diferenciada, nada... a impressão que tenho é que essa data não tem importância alguma para a nossa história.
sabemos que ainda existe muito preconceito e nós o vemos, sentimos, na pele literalmente.
E com essa postura da mídia, podemos apenas lamentar e tentar usá-la como estimulo,
Para chegarmos ao poder das grandes organizações, para podermos enfim fazer valer o framming e o agenda setting de acordo com os interesses do nosso povo negro, que representa grande parcela do povo brasileiro, ainda que a falta de consciência faça com que muitos identifiquem-se como moreno, cor de formiga, escurinho, dentre tantas nomenclaturas burlativas que criamos para nós mesmos. Assim mantemos nossas amarras às posições que exercemos num passado não tão distante.
Entristeço-me mas continua na expectativa de que essa situação poderá ser revertida, a partir do nosso próprio despertar.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Em 11 de maio de 1981 morria Bob Marley


Robert Nesta Marley, o responsável em levar o reggae jamaicano para o mundo, nasceu no dia 6 de fevereiro de 1945. A vida musical começou em 1962, quando um produtor o chamou para gravar algumas músicas pelo selo Beverly’s. Bob Marley preferiu montar um grupo invés de seguir a carreira sozinho. Chamou os amigos Peter Tosh e Bunny Livingston para criar um grupo de ska. A primeira gravação, “Simmer Down”, se tornou a mais pedida na Jamaica em 1964. Naquela época, a mãe de Bob, que se mudou para os Estados Unidos anos antes, o enviou uma passagem para que ele fosse morar com ela. Mas, Bob conheceu a cantora Rita, por quem se apaixonou e a viagem aos Estados Unidos durou apenas alguns meses. Os dois se casaram em fevereiro de 1966. O ano seguinte foi muito importante para a direção da carreira de Bob Marley. O cantor se converteu à religião Rastafari, o que determinou o estilo de sua música e chamou os amigos de volta para formar o The Wailers. O início do grupo foi difícil, tentaram criar um selo, mas ele faliu pouco tempo depois. A parceira com o produtor Lee Perry fez com que o grupo gravasse algumas músicas importantes, que definiu o estilo da banda. Com a entrada dos irmãos Aston e Cartol Barrett, o The Wailers alcançou o sucesso na Jamaica, em 1970. Foi a primeira turnê do grupo para divulgar o reggae jamaicano em outros países. Bob acompanhou o cantor Johnny Nash, para quem havia fornecido algumas músicas anteriormente, na Europa. Lá, Bob conseguiu um contrato com a CBS. Apesar do lançamento do single “Reggae on Broadway”, o grupo não teve boa repercussão nos lugares onde tocou. Bob foi atrás da Island Records e conseguiu um novo contrato. O estouro internacional veio com o álbum “Catch a Fire”, que ainda rendeu uma turnê pela Inglaterra e Estados Unidos. Durante os shows, Bunny decidiu voltar à Jamaica e foi substituído por Joe Higgs, que havia sido o professor de canto de Bob na Jamaica. Em 1973, saiu o segundo disco, “Burnin”, com as músicas “Get Up, Stand Up” e “I Shot The Sheriff”. No ano seguinte, enquanto Bob estava novamente no estúdio, o cantor Eric Clapton re-gravou a canção “I Shot The Sheriff”, que se tornou número um nos Estados Unidos e a banda The Wailers também regravou suas músicas “No Woman No Cry” e “Revolucion”. Com outra formação, que agora contava com o trio feminino Marcia Griffiths, Judy Mowatt e a esposa de Bob, Rita Marley, houve até uma mudança no nome da banda, que passou a chamar Bob Marley and The Wailers. O grupo voltou à Jamaica para uma apresentação especial ao lado de Stevie Wonder. Logo depois lançou um novo álbum, “Rastaman Vibrations”, em 1976. O disco se tornou um sucesso internacional e espalhou as idéias do músico por todo o mundo. A Jamaica percebia a importância política e musical de Bob Marley, tanto que ele marcou um show em um parque no país, com o objetivo de disseminar a paz em um lugar onde haviam violentas brigas de gangues. Com a chegada das eleições na Jamaica e as influências políticas de Bob fez com que as gangues se enfurecessem e invadissem sua casa e o atacassem. Mesmo ferido Bob subiu ao palco no mesmo dia e realizou o show. O cantor mudou-se para Londres e deu continuidade a carreira musical. Chegaram dois álbuns nos anos seguintes, “Exodus” e “Kaya”, que produziram diversos ‘hits’, entre eles, “Waiting In Vain”, “Satisfy My Soul” e “Is This Love”. Durante a turnê de “Exodus”, Bob feriu o dedão do pé e foi aconselhado a amputá-lo, mas a religião Rastafari não permite. Em 1978, Bob Marley voltou à Jamaica para o show especial “One Love Peace Concert”, em que fez o primeiro ministro e o chefe da oposição darem as mãos. No final do ano ainda esteve na África, onde visitou o Quênia e a Etiópia. A solidariedade à África continuou com o disco “Survival”, lançado no ano seguinte, que fez com que o grupo fosse convidado para tocar na cerimônia de independência do Zimbabwe. Com o disco “Uprising”, o grupo fez uma turnê de grandes proporções pela Europa e chegou a tocar para mais de 100 mil pessoas em Milão. Infelizmente, pouco tempo depois, Bob Marley enfrentou as conseqüências de não ter amputado o dedão do pé. O ferimento não tratado virou canceroso e se espalhou para outros órgãos. Apesar do tratamento com quimioterapia, Bob Marley morreu no dia 11 de maio de 1981, aos 36 anos. O trabalho de Bob Marley continuou a ser divulgado e reverenciado no mundo inteiro. A sua popularidade parece não ter mudado, os discos e materiais de propaganda, como as camisetas estampadas com seu rosto, são vistos em todo lugar. A esposa, Rita, continuou com sua carreira na música e no final da década de 80, os filhos de Bob entraram também no mercado fonográfico com sucesso, mas nada comparado ao de Bob Marley.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Entrelaçadas


Existem coisas que surgem e nos inspiram a refletir
A fazer uma viagem nostálgica sobre nós mesmos
Voltamos no tempo e questionamos sobre o que fizemos e o que deixamos por fazer.
No dia das mães é assim.
Pelo menos pra mim.
Vejo as campanhas publicitárias
E esse ano devo considerar que imagens e sons conseguiram me inspirar profundamente.
Mas n foi qualquer campanha.
Principalmente uma que define a mãe como o feminino do amor.
Expressão curta, mas que traduz o verdadeiro significado dessa palavra ainda menor, mas que cabe o infinito.
Vendo essas publicidades, não me torturo.
Afinal, sei que tento corresponder à altura tudo que vem dela pra mim
Respeito, confiança, companheirismo, o toque, palavras que impulsionam.
O sorriso de satisfação ao me ver prosperar,
O abraço ao me ver chegar depois de um árduo dia de trabalho.
O interesse em ouvir minhas histórias mais loucas.
A certeza de poder contar com esse amor incondicional pelo resto dos meus dias.
Sou o seu reflexo. Em aparência e essência.
Não quero traduzir a palavra m-ã-e
Mas nesta segunda-feira pós dia das mães, estou aqui , a pensar no tanto de coisas que já vivemos juntas.
E principalmente a maestria como consegue suprimir a minha carência por um pai.
Durante algum tempo tive dificuldade em entender suas posturas,
seu modo de agir e reagir,
as orientações,
e tantas outras coisas que um dia descordei.
Hoje, ainda que me surpreenda, percebo que tudo isso é parte da natureza, do chamado instinto materno.
Instinto de luta, de defesa pela sua cria.
A mim, só resta agradecer. Por tudo que já fez e continua fazendo por mim
E aproveitar cada segundo
Tendo a certeza de poder contar com esse acalanto único
Que me faz renascer a cada reencontro.
Qualquer presente é pequeno,
Diante do grande presente que é ter nascido do teu ventre
E poder chamá-la de mãe.