quarta-feira, 19 de junho de 2013

Uma breve reflexão sobre o programa 'Esquenta'

Hoje eu iria dar dicas de penteados e tratamentos para cabelos enrolados carapinhas e pixains, mas ao ler o texto de Marcos Sacramento, publicado no blog contexto livre, mudei de idéia e decidi deixar o tema para a próxima semana. O referido texto faz uma análise do programa ‘Esquenta’, apresentado por Regina Casé na rede globo. Segundo o autor, a apresentadora envia uma mensagem retrógrada com estereótipos dos negros. 
Não é de agora que leio ou escuto diversas críticas sobre o programa, mas assim como fez sacramento, quero levantar alguns questionamentos a partir dos questionamentos dele.
Num primeiro momento, o autor mostra o seu real incomodo com a estrutura do programa, considerado por ele conservador e que repete a versão barulhenta e colorida de velhos costumes. Talvez ai se remetendo a Chacrinha, ícone da televisão brasileira, apresentador entre os anos 50 e 80 e que está eternizado. Gírias, danças e modas das periferias, assim como performances parecem incomodar profundamente a muitos que acompanham o programa ou vêem de vez em quando... mas ai eu questiono: Por que? 


Onde está escrito e determinado que os negros das favelas precisam se vestir desta ou daquela forma para serem respeitados? Quem disse que o preto não pode pintar o cabelo de loiro ou querer mostrar sua habilidade com o funk, pagode ou hip hop no palco de um dos programas com maior audiência na televisão brasileira num domingo a tarde? Por que a sua arte tem menos valor? 
Mas vamos em frente... o autor alega ainda que seu maior incomodo no formato de programa é a cor de pele predominante no que ele intitula como festa maluca, já que este é o programa com o maior percentual de negros da TV aberta. Mas em que medida isso é ruim? Não seria este o primeiro passo para acabar justamente com a predominância branca em outros programas?
Claro, que ninguém nunca vai agradar a todos, mas é engraçado como mantemos nossas viseiras, acreditando que o programa apenas reforça estereótipos. Acredito que está longe disso. Ao trazer discussões do cotidiano para nossas casas aos domingos, com o povo que vive essa realidade – festiva ou não- é mostrar que independentemente do que aconteça, é possível sim levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. O programa traz indivíduos que o autor chama de suburbanos, subempregados, sempre com um sorriso no rosto, esquecendo-se das mazelas cotidianas por meio da dança, do remelexo, das rimas pobres do funk, do mau gosto de penteados e cortes de cabelo extravagantes, mas ao mesmo tempo traz historiadores e especialistas que discutem a história do nosso país, além de incentivar a leitura através de dicas de livros. Onde está o erro?
Mas o ápice do equivoco deste texto é acreditar que nós negros da periferia precisamos seguir um padrão para termos um dedo de credibilidade. Por que não posso sentir falta do meu feijão com viajo para fora do país? Por que eu preciso  pensar em aprender a falar alemão? Por que os rapazes precisam sonhar em trabalhar no Itamaraty? Por que as  moças da periferia precisam sonhar em ser modelo para capas da Marie Claire ou da Claudia?
Me bata um abacate! Fui Pra mim, relis mortal, o texto é sobrecarregado de preconceitos e se o autor acredita que o programa é o mais racista da TV, o texto que embasa este meu comentário é o resumo do racismo.