Hoje eu iria dar dicas de penteados e tratamentos para cabelos enrolados carapinhas e pixains, mas ao ler o texto de Marcos Sacramento, publicado no blog contexto livre, mudei de idéia e decidi deixar o tema para a próxima semana. O referido texto faz uma análise do programa ‘Esquenta’, apresentado por Regina Casé na rede globo. Segundo o autor, a apresentadora envia uma mensagem retrógrada com estereótipos dos negros.
Não é de agora que leio ou escuto diversas críticas sobre o programa, mas assim como fez sacramento, quero levantar alguns questionamentos a partir dos questionamentos dele.
Num primeiro momento, o autor mostra o seu real incomodo com a estrutura do programa, considerado por ele conservador e que repete a versão barulhenta e colorida de velhos costumes. Talvez ai se remetendo a Chacrinha, ícone da televisão brasileira, apresentador entre os anos 50 e 80 e que está eternizado. Gírias, danças e modas das periferias, assim como performances parecem incomodar profundamente a muitos que acompanham o programa ou vêem de vez em quando... mas ai eu questiono: Por que?
Onde está escrito e determinado que os negros das favelas precisam se vestir desta ou daquela forma para serem respeitados? Quem disse que o preto não pode pintar o cabelo de loiro ou querer mostrar sua habilidade com o funk, pagode ou hip hop no palco de um dos programas com maior audiência na televisão brasileira num domingo a tarde? Por que a sua arte tem menos valor?
Mas vamos em frente... o autor alega ainda que seu maior incomodo no formato de programa é a cor de pele predominante no que ele intitula como festa maluca, já que este é o programa com o maior percentual de negros da TV aberta. Mas em que medida isso é ruim? Não seria este o primeiro passo para acabar justamente com a predominância branca em outros programas?
Claro, que ninguém nunca vai agradar a todos, mas é engraçado como mantemos nossas viseiras, acreditando que o programa apenas reforça estereótipos. Acredito que está longe disso. Ao trazer discussões do cotidiano para nossas casas aos domingos, com o povo que vive essa realidade – festiva ou não- é mostrar que independentemente do que aconteça, é possível sim levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. O programa traz indivíduos que o autor chama de suburbanos, subempregados, sempre com um sorriso no rosto, esquecendo-se das mazelas cotidianas por meio da dança, do remelexo, das rimas pobres do funk, do mau gosto de penteados e cortes de cabelo extravagantes, mas ao mesmo tempo traz historiadores e especialistas que discutem a história do nosso país, além de incentivar a leitura através de dicas de livros. Onde está o erro?
Mas o ápice do equivoco deste texto é acreditar que nós negros da periferia precisamos seguir um padrão para termos um dedo de credibilidade. Por que não posso sentir falta do meu feijão com viajo para fora do país? Por que eu preciso pensar em aprender a falar alemão? Por que os rapazes precisam sonhar em trabalhar no Itamaraty? Por que as moças da periferia precisam sonhar em ser modelo para capas da Marie Claire ou da Claudia?
Me bata um abacate! Fui Pra mim, relis mortal, o texto é sobrecarregado de preconceitos e se o autor acredita que o programa é o mais racista da TV, o texto que embasa este meu comentário é o resumo do racismo.


Ótimo texto, mas a ótica do opressor é essa nos separar e corromper nossas mentes ainda mais.Não da pra se esperar nada além disso. posso estar sonhando demais, mas se aquele horário fosse disponibilizado pra o pessoal das favelas realmente ter voz sairia algo muito mais original que aquilo.
ResponderExcluirOriginalidade? Penso que tem e de sobra. O programa não se limita a espetacularização, pelo menos eu não o vejo dessa forma. Mas assim como mostra um grupo que está fazendo sucesso com os passinhos do funk, leva o projeto social do Olodum e apresenta os benefícios que tem feito pela comunidade. Mas valeu!!!
ResponderExcluirMuito boa a sua reflexão, Cristielle. Eu achei de muito mau gosto essa crítica do Marcos Sacramento e um reforço ao racismo!
ResponderExcluirCristielle, resumindo seu desabafo e você.... SHOW!!!!
ResponderExcluirAmei o texto. Como sempre um talento.
ResponderExcluirCRIS.... NA INTIMIDADE, EMBORA NÃO EXISTA.. SOBRETUDO ACREDITO QUE ESSE PROGRAMA VENHA DESPIDO DE RÓTULOS BRANQUISTAS DA NOSSA REAL SOCIEDADE, MESMO SENDO PADRÃO GLOBO..ACREDITO QUE PELO MENOS EM ALGUM MOMENTO POSSO ME VER, ME SENTIR INTEGRADO DENTRO DE UM CONTEXTO MIDIÁTICO...TODA LIBERDADE DE EXPRESSÃO DEVE SER CONTEXTUALIZADA...DEVE-SE TER DIREITO DE CAUSA, NO ENTANTO SACRAMENTO NÃO PASSA DE MAIS UM PRODUTO RACISTA ALIMENTADO E ENVAIDECIDO PELO ESPAÇO QUE POSSUI.
ResponderExcluirRICARDO GOMES
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ResponderExcluirE quem disse que negro só pode ter isso? Os negros deveriam ter a liberdade de escolher se serão fukeiros, pianistas, fazer curso superior de direito ou se entregar à uma carreira artistica... Ou seja, os negros deveriam ter direitos... Como maioria da população não tem esta escolha... Para a maioria os direitos são negados... E não existe FAVELA, existe bairro sem a infra-estrutura que por direito eles deveriam ter! A Mangueira tem que ter saneamento básico sim! Escola lá dentro da comunidade, se possível Um colégio de aplicação da UERJ!
ResponderExcluirOla. Acabei de ler esse texto na integra em outro site. Compreendi a intençao do autor, mas ele foi muito infeliz e nao fez outra coisa a nao ser mostrar o racismo mais tacanho possivel. Uma pessoa que dança funk, usa short ou pinta o cabelo nem sempre pode ser uma pessoa ignorante e acomodada na sua condiçao social. Quantos universitarios frequentam bailes funks?? O problema e rotularem tudo e todos, sem conhecimento previo. Se o autor e um negro "europeuzado",tudo bem, mas nao deve desmerecer os negros que abraçam a cultura afro e se identificam
ResponderExcluirLi ambos os textos e concordo com o que você disse: o outro texto subjuga uma cultura sobre a outra.
ResponderExcluirO que eu não concordo é com a esteriotipação de uma raça, classe ou comunidade. O Brasil não ama funk, o Brasil não ama pagode, o Brasil não ama o samba. O programa mal estruturado afirma o contrário. Que o programa tem um público alvo (cariocas das periferias) todo mundo sabe e ninguém pode julgar.
Assiste quem quiser. É simples.