segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Por que não se pode ser gorda e/ou negra no Brasil?
Uma campanha de moda divulgada na semana passada causou estranheza não só em mim, mas em todo o Brasil. Quem acessa as redes sociais sabe bem que estou me referindo a campanha da CeA, alvo de críticas principalmente no twitter e no facebook pela forma ridicularizada que trouxe a imagem da cantora Preta Gil. A pobre coitada aparece com o corpo bastante afinado e com a pele bem embranquecida em fotos que divulgam uma linha própria da C&A para mulheres de manequim entre 46 e 56. A forma da cintura da cantora, por exemplo, varia de uma foto para outra, basta olhar com um pouquinho de atenção. Mas as outras imagens não escaparam de crítica, principalmente aquela em que a cantora aparece com cintura marcada, os braços aparentemente afinados e a pele ainda mais branca que nas demais. Ali, alguém pergunta: “A Preta Gil não pode ser preta?”
Procurada, a C&A se pronunciou apenas sobre a foto em que o ombro de Preta Gil parece ter proporções não naturais. A empresa nega o emprego "excessivo" de Photoshop e diz que a explora um ângulo que causa a impressão de uso excessivo de recursos de edição de imagem, o que não teria sido feito. "Admiramos a Preta Gil, que pelo segundo ano estrela nossa campanha da linha 'Special for You', e lamentamos a repercussão negativa dessa foto", diz o comunicado da companhia".
Lamentavelmente, a utilização de Photoshop é prática cada vez mais comum no mundo da publicidade, e em alguns casos, os absurdos chegam a ser gritantes. Algumas celebridades já apareceram sem braços, pernas e até sem umbigo. Mas não é isso que quero discutir aqui. O que está em questão é o desrespeito com a identidade própria da celebridade, neste caso, Preta Gil. Ela é negra e gordinha, certo? Não seria esse o perfil geral da mulher brasileira? Sim, nós temos peito, bunda, cintura, e claro, mais peso. E o que há de errado nisso? Por que uma campanha de moda, que se diz preocupada em agradar esse público simplesmente deforma a garota propaganda dessa campanha?
Pouco importa. A ideia do mercado parece ser a de que este público não consome, já que cada vez mais notamos a quase inexistência de revistas ou outras publicações para mulheres negras e gordas, por exemplo ou, ainda, a inserção da temática negra em revistas intituladas “mistas”. Falar sobre cabelo crespo é “pedir demais”. Falar das curvas do corpo e como adaptar peças, então, é sonho e talvez por isso, a CeA não tenha habilidade para tratar do assunto.
Mas, vamos em frente: Outra personalidade que chama a atenção pelo processo de branqueamento, esse não causado pelo photoshop é a cantora de funk que está no topo das paradas atualmente... Olhando uma foto antiga de Anitta e comparando com as atuais, vemos claramente como houve o embranquecimento da sua figura e talvez isso explique a aceitação que a mesma tem nos principais canais televisivos, ao contrário de MC Beyonce, negra que ganhou fama em 2012 com a música "Fala Mal de Mim", com mais de 15 milhões de visualizações no youtube.
O bonde das maravilhas é outro, que é levado à mídia apenas como o inusitado, o esdrúxulo, enquanto a Anitta aparece como a menina boazinha, a funkeira voltada para a cultura pop, com produção higienizada e pronta para o consumo. Longe de mim avaliar ou discutir a qualidade das letras desses funks, estou falando sobre pessoas e a repulsa à essas mulheres, não somente porque a maioria das funkeiras são negras, mas porque o funk tem raizes históricas e é intimamente ligado à cultura negra brasileira.
Artistas como a Anitta são reposicionadas em uma nova classe social, que embranquece suas expressões artísticas e as torna muito mais “adequadas” para a televisão e para os padrões aceitáveis no país.
A Anitta é um exemplo de uma mulher miscigenada que foi embraquecida e “enriquecida” para que o seu trabalho artístico fosse valorizado. Sabendo disso, vale pensar: será que Anitta é aceita por ser reconhecida como uma mulher branca ou terá embranquecido em busca de aceitação? Se outras funkeiras passassem por um processo de embraquecimento e elitização, seriam abraçadas pelos programas da televisão aberta? Fica a pergunta no ar.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Preconceito: Crianças preferem falar que estão com Leucemia do que assumir na escola que são do candomblé
As falas das crianças, no documentário “Brincando com os deuses” ilustra bem o tema do meu comentário de hoje e que pode ser determinante na construção da identidade de um ser humano. Me refiro à inserção – ou não- de uma criança a uma religião, seja ela qual for. Nada lhe deve ser imposto, mas vez por outra vemos os pais obrigando meninos e meninas a irem a igrejas ou a terreiros de candomblé. Entretanto, a vontade dessas crianças deve vir em primeiro lugar... E comigo foi assim. Desde que me entendo por gente, vejo minha mãe, que é ialorixá, envolvida com suas atividades como consultas com jogo de búzios, mas nunca fui obrigada a acompanhá-la nas festas da casa do seu pai de santo ou muito menos a participar de alguma outra maneira. Mas eu gostava, me sentia envolvida pelo som dos atabaques, pelo ritmo e dança e também pelos cânticos, em iorubá.
Aos 9 anos, enquanto assistia a uma festa, fui escolhida pela Iansã que estava manifestada e, minha mãe para ser sua Ekede, a primeira Ekede do Ilê Axé Oyá Mesi. À época, não entendia direito o que isso significava, mas pacientemente, minha mãe me explicou TIM TIM por TIM TIM o que isso representaria e o que mudaria na minha vida, caso aceitasse o cargo. Aceitei, já se vão 19 anos e nunca me arrependi da decisão tomada, ainda que, em muitos momentos, tivesse me sentido constrangida com a indiscrição e olhares preconceituosos. Sempre encontrei respostas que me livravam do problema momentâneo, mas ainda hoje preciso lidar com isso...
Mas o fato é que muitas crianças, assim como eu, que são iniciadas no candomblé, não sabem lidar com isso, principalmente por causa da discriminação. Para discutir o assunto e discutir políticas públicas, o Coletivo de Entidades Negras, a Associação Obatalandê, junto a outras casas de candomblé. O evento será realizado neste domingo, dia 28 de julho, das 8 as 17 horas, com as participações do professor e pesquisador Jaime Sodré além da yalorixá Jaciara Ribeiro e ogans do ilê axé abassá de Ogum, que vão discutir temas como a identidade ancestral.
Com base nisso, a pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Stela Guedes caputo também já se debruçou e escreveu o livro educação nos terreiros, com base em uma pesquisa feita na década de 90, que apontou grande facilidade das crianças sobre o toque, a dança, a facilidade com o ioruba, mas ao mesmo tempo mostrou como essas crianças se sentiam discriminadas na escola. Na tentativa de lidar com isso, a pesquisadora percebeu que as crianças desenvolviam estratégias para lidar com o preconceito nas escolas e algumas chegavam a dizer que contraíram leucemia para não assumir que fizeram o santo. É isso o que sinaliza a pesquisadora, em um vídeo da tv o dia, disponível na internet. “Elas se diziam católicas, por exemplo. Algumas chegam a dizer que estavam doentes no período da feitura pro santo, que é o momento especial na vida do candomblecista, então ele tem que raspar a cabeça, usar branco durante um período (...) então são estratégias que elas inventam, mas que são estratégias de sofrimento, por que ninguém quer esconder aquilo que ama, aquilo que é e acredita”, ressalta.
Neste contexto, a escola poderia ter um papel de suma importância, já que o ensino religioso deveria servir para acabar com essa discriminação. Mas aqui no Brasil, a base deste ensino religioso é o catolicismo. A lei 10. 639/ 2003, que institui a obrigatoriedade do ensino de história da áfrica e afrobrasileira na educação básica de todo o país, mas na prática o que se tem é a inexistência de professores especializados no assunto ou a superficialidade dos que já estão em sala de aula. O que essa lei propõe é que os professores ressaltem em sala de aula a cultura afro-brasileira como constituinte e formadora da sociedade brasileira, na qual os negros são considerados como sujeitos históricos, valorizando-se, portanto, o pensamento e as ideias de importantes intelectuais negros brasileiros, a cultura e as religiões de matrizes africanas. Enquanto isso não acontece, a escola continua sendo um lugar de enfraquecimento e crianças continuam com suas vivências veladas.
“É o que eu chamo de uma esquizofrenia na constituição. Ela garante o ensino religioso e que o estado é laico e diz ainda que não pode ter aliança com nenhuma igreja. Mas como, se ela deixa que o livro didático seja católico? É um entrave na luta contra a discriminação religiosa. As crianças que eu conheci na época da reportagem que estavam com idades entre 2 e 4 anos, hoje são adultas e os filhos destas crianças que eu entrevistei há 20 anos, passam pelo mesmo preconceito que os seus pais passaram. É uma discriminação que vem sendo reforçada de geração em geração”, enfatiza Stela Guedes Caputo.
Aos 9 anos, enquanto assistia a uma festa, fui escolhida pela Iansã que estava manifestada e, minha mãe para ser sua Ekede, a primeira Ekede do Ilê Axé Oyá Mesi. À época, não entendia direito o que isso significava, mas pacientemente, minha mãe me explicou TIM TIM por TIM TIM o que isso representaria e o que mudaria na minha vida, caso aceitasse o cargo. Aceitei, já se vão 19 anos e nunca me arrependi da decisão tomada, ainda que, em muitos momentos, tivesse me sentido constrangida com a indiscrição e olhares preconceituosos. Sempre encontrei respostas que me livravam do problema momentâneo, mas ainda hoje preciso lidar com isso...
Mas o fato é que muitas crianças, assim como eu, que são iniciadas no candomblé, não sabem lidar com isso, principalmente por causa da discriminação. Para discutir o assunto e discutir políticas públicas, o Coletivo de Entidades Negras, a Associação Obatalandê, junto a outras casas de candomblé. O evento será realizado neste domingo, dia 28 de julho, das 8 as 17 horas, com as participações do professor e pesquisador Jaime Sodré além da yalorixá Jaciara Ribeiro e ogans do ilê axé abassá de Ogum, que vão discutir temas como a identidade ancestral.
Com base nisso, a pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Stela Guedes caputo também já se debruçou e escreveu o livro educação nos terreiros, com base em uma pesquisa feita na década de 90, que apontou grande facilidade das crianças sobre o toque, a dança, a facilidade com o ioruba, mas ao mesmo tempo mostrou como essas crianças se sentiam discriminadas na escola. Na tentativa de lidar com isso, a pesquisadora percebeu que as crianças desenvolviam estratégias para lidar com o preconceito nas escolas e algumas chegavam a dizer que contraíram leucemia para não assumir que fizeram o santo. É isso o que sinaliza a pesquisadora, em um vídeo da tv o dia, disponível na internet. “Elas se diziam católicas, por exemplo. Algumas chegam a dizer que estavam doentes no período da feitura pro santo, que é o momento especial na vida do candomblecista, então ele tem que raspar a cabeça, usar branco durante um período (...) então são estratégias que elas inventam, mas que são estratégias de sofrimento, por que ninguém quer esconder aquilo que ama, aquilo que é e acredita”, ressalta.
Neste contexto, a escola poderia ter um papel de suma importância, já que o ensino religioso deveria servir para acabar com essa discriminação. Mas aqui no Brasil, a base deste ensino religioso é o catolicismo. A lei 10. 639/ 2003, que institui a obrigatoriedade do ensino de história da áfrica e afrobrasileira na educação básica de todo o país, mas na prática o que se tem é a inexistência de professores especializados no assunto ou a superficialidade dos que já estão em sala de aula. O que essa lei propõe é que os professores ressaltem em sala de aula a cultura afro-brasileira como constituinte e formadora da sociedade brasileira, na qual os negros são considerados como sujeitos históricos, valorizando-se, portanto, o pensamento e as ideias de importantes intelectuais negros brasileiros, a cultura e as religiões de matrizes africanas. Enquanto isso não acontece, a escola continua sendo um lugar de enfraquecimento e crianças continuam com suas vivências veladas.
“É o que eu chamo de uma esquizofrenia na constituição. Ela garante o ensino religioso e que o estado é laico e diz ainda que não pode ter aliança com nenhuma igreja. Mas como, se ela deixa que o livro didático seja católico? É um entrave na luta contra a discriminação religiosa. As crianças que eu conheci na época da reportagem que estavam com idades entre 2 e 4 anos, hoje são adultas e os filhos destas crianças que eu entrevistei há 20 anos, passam pelo mesmo preconceito que os seus pais passaram. É uma discriminação que vem sendo reforçada de geração em geração”, enfatiza Stela Guedes Caputo.
quarta-feira, 10 de julho de 2013
O que quer dizer: "Eu pegaria essa preta...”
Não há aquele ser humano que não goste de elogios, ou seja, de ter o ego massageado por um adjetivo na hora certa. E se for mulher então, o elogio é uma necessidade. Até mesmo aquelas que se dizem mais tímidas e discretas, adoram desde um comentário simples sobre a roupa, maquiagem, o penteado, ou ainda sobre um comportamento ou ação específicos, todo elogio, é bem vindo, claro, considerando o grau de intimidade.
Quem, por mais pudica e tirada à certinha que seja, vai dizer que nunca se sentiu ao ouvir um bom e velho: "GOSTOSA!"
Até ai, nada mal, mas o problema é quando não há qualquer intimidade entre as partes e alguns ogros se acham no direito de lançar essas proezas em nossa direção. Com a luta diária pela igualdade entre os sexos, alguns homens também se assustam, muitas vezes, com expressões similares, mas meu foco aqui é o oposto: o das expressões ditas mais comumente à nós mulheres negras. A inspiração para o meu comentário vem de um texto, publicado no site blog intitulado blogueiras negras. Nele a autora Charô Nunes enumera alguns elogios racistas e muitos até sexistas, que muitas de nós escutamos quase que diariamente. Alguns são consenso, outros nem tanto, mas vamos à algumas situações que certamente, muitas de nós, já vivemos.
O primeiro é uma unanimidade. Toda negra ouve isso e muitas não sabem nem o que responder: "Rapaz,você é uma morena linda!”
Me mate, mas não mande uma dessa pra mamãe aqui. Parece que chamar agente de negra é uma ofensa racial. Se tentar um: você é uma nega massa, corre o risco de levar um tapa, pois fica parecendo que é uma raridade, uma exceção existir uma negra linda. Homens, Se vocês precisam expressar a admiração, mande apenas um “você é bonita ou atraente”. Isso basta para mostrar sua admiração.
Mas em hipótese alguma diga que uma negra é morena, moreninha, morena escura. Isso é uma demonstração plena e pura de racismo e dos graúdos. Quando acontece comigo, corto logo e digo que não sou morena e nem moreninha, sou N.E.G.R.A - e com muito orgulho.
Outra que me mata é: “Esse cabelo é seu mesmo? é tão lindo que parece mega..."
Essa é outra bem comum. Várias vezes já fui parada na rua por pessoas inconvenientes que sempre me fazem essa pergunta. Minha expressão primária é irônica. Sorrio e respondo; claro que é meu. Preto só pode ter cabelo bonito se for comprado? Eu até entendo que a simples visão de uma negra com cabelo natural pode ser algo inusitado... já foi mais... Mas nada disso justifica a abordagem e a intromissão na vida alheia, afinal, a boa educação reza que não se deve abordar, muito menos pedir para tocar o cabelo de uma pessoa desconhecida.
Outra expressão que já ouvi e me deixa aterrorizada é: "Eu pegaria essa preta!"
Essa dispensaria até comentários, mas prefiro fazê-los. Essa frase está completamente carregada de preconceitos, já que, saindo da boca de quem quer que seja, soa como se fosse algo excepcional ficar, namorar ou casar com uma negra. Além disso, dizer que pega ou deixa de pegar, dá a conotação de coisa a qualquer que seja o alvo. Enaltecer a forma física, o cabelo, a pele, os traços, as expressões ou o que de mais bonito uma mulher tem está valendo, com a sutileza ou qualquer outra entonação que o momento, de preferência íntimo, possa pedir. Mas se seu intuito for realmente conquistar uma mulher de verdade, essa frase, literalmente infeliz, deve ser completamente riscada do seu repertório.
Como não quero me alongar demais, assim como o texto do blogueiras negras, deixo aqui apenas o poema acima de Elisa Lucinda, intitulado Mulata Exportação, Afinal concordo com ela, quando diz: deixar de ser racista, meu amor, não é comer uma mulata.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Fazendo a cabeça com torços e turbantes
Na semana passada eu
falei aqui sobre as diversas astúcias que já fiz com os meus cabelos, ao longo
dessas quase três décadas de existência. Mas muita gente me questionou sobre
algo que faço com certa frequência e que agora está mais em alta do que nunca: os
torços e turbantes.
Muitas mulheres ainda
criam resistência, mas eu sou uma fã incondicional deste acessório que compõe
meu visual constantemente. Na verdade, aprendi a usar os torços desde a
infância, já que nasci e cresci num terreiro de candomblé, sendo iniciada aos 9
anos de idade. Desde então, sempre usei os torços, mas até ai, nas cerimônias e
rituais internos.
Mas, com o passar dos
anos, percebi sim que ele poderia ser um forte aliado ao meu visual e você
também pode fazer isso. O custo é pequeno e basta a criatividade para garantir
o sucesso nas ruas, principalmente com as batas e vestidos.
O primeiro passo é
comprar um tecido a seu gosto. Eu,
particularmente prefiro os estampados, étnicos e com cores fortes, para realçar
o rosto. A metragem é a partir de dois metros por 50 centímetros, para garantir
uma amarração bacana e um volume adequado. A depender do modelo, se o tecido
for muito pequeno, não dá para dar aquelas voltas que dão um acabamento
perfeito. Mas existem modelos que podem ser feitos com lenços quadrados.
Para os turbantes, dê
preferência a tecidos de algodão ou malha. Seda não é uma boa pedida, já que, a
depender do modelo escolhido, pode ficar escorregando e acabar incomodando.
Quem ainda não sabe nem
por onde começar, uma dica é fundamental: tente. Vá para a frente do espelho e
comece a testar as mais diversas formas.
No começo é difícil, mas pelo menos um modelo há de sair!
O modelo mais simples é
o de lacinho: ideal para quem quer começar a se arriscar na arte dos lenços.
Você dá uma volta na cabeça e faz um laço na frente, deixando o cabelo solto.
Quem já está mais evoluída no assunto, consegue até mesmo fazer amarrações com
até cinco lenços, com vários nós, num estilo Ilê Aiyê.
Mas uma boa dica mesmo
para quem está começando é acessar os diversos vídeos disponíveis no youtube,
ensinando o passo a passo dos turbantes. Com um tecido à mão e um pouco de
tempo, é possível aprender modelos bem diferentes e sair barbarizando por ai.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Cabeleira, cabeluda, descabelada
Eu
sou uma das pessoas que se sentem mais a vontade para falar sobre esse que é
tido como a verdadeira moldura do rosto, principalmente o feminino. Já fiz de
um tudo com os meus: na infância, minha mãe dava ferro – pra quem não sabe,
deixa eu explicar: Numa época que não existia a pranchinha, eu sentava na
cozinha e ela, pacientemente, esquentava um pente de ferro no fogão e ia
passando mecha por mecha. Na hora eu – que não tinha a menor noção de
identidade, me sentia realizada, por ver os cabelos esticados e brilhantes. Mas
o efeito também passava muito rápido: no auge dos meus 7 anos de idade, bastava
correr ou dançar no aniversário de uma coleguinha pra o penteado se desmanchar e
ver o cabelo se rebelar e ir voltando aos poucos a sua forma original...
Fui
crescendo e experimentei de um tudo: Fiz permanente afro, dei escova com pranchina – quando esta apareceu, usei
alisantes e relaxantes de todas as marcas e passei pelo constrangimento de
algumas pessoas a minha volta ficarem torcendo o nariz pq sempre fica aquele
ranço do cheiro fortíssimo do produto...Além disso, ainda tem os efeitos
colaterais desses produtos, como corte químico e vários buracos na
cabeleira...um horror!
Ai,
quando cansei, recorri aos cabelos postiços. E já usei de tudo: tranças, mega
hair, dread, e tudo mais. Receitas caseiras já fiz todas: abacate, mel, ovo,
óleo de rícino e tudo mais. Com
o passar do tempo e amadurecimento foi que comecei a perceber o grande mal que
estava fazendo ao meu cabelo com tantos experimentos. Com a ajuda de um amigo
querido, cai na real e entendi que usar meu cabelo ao natural, poderia ser a
melhor opção para acabar com essa agonia. Daí, fiz isso: fui num salão, cortei
as pontas podre e passei a usar meu Black. No começo, a gente precisa relutar
com os questionamentos do tipo: oxe, pq tirou seu mega? Tava tão bonito! Ou porque
você não alisa seu cabelo? Ou pior: menina, se você desse uma escova nesse
cabelo ia ficar lindo!
E
ai eu passei a responder: não faço nada disso pq gosto dele assim, com esses
cachinhos, que posso tomar chuva, sambar, dormir e acordar e ele estará do
mesmo jeito, Sem precisar fazer manutenção a cada três meses para ter uma
beleza bem distante da minha e mais próxima dos padrões predeterminados pela
sociedade como bonitos.
Hoje
uso o Black, mas não excluo a possibilidade de fazer arte nos cabelos.
Quando canso, faço um penteado
diferente, tranço, coloco um dread de novo, mas não caio mais na asneira de
ficar apodrecendo meus cabelos. Mas não condeno quem o faz. Por isso, vou dar
algumas opções de lugares mais especializados em cabelos afros, aqui em
salvador.
Vamos
então a eles. Tem o mais conhecido, que é o Instituto da Beleza Natural,
localizado no Largo do Tanque. Lá fazem de tudo, os preços não são altos e você
pode comprar os produtos para fazer a manutenção em casa. Vale muito a pena!
Se
quiser usar os postiços, como tranças e dreads, tenho algumas opções bem
bacanas. Tem o salão Milmar, que fica no Largo dois de julho, no centro da
cidade. as meninas são competentíssimas e cobram quase metade do que costuma se
cobrar pela famosa do pelourinho.
Outra
que manda bem no mega hair é o Afro Style, na Liberdade. A proprietária é
megarrista, mas se quiser dar uma escova ou algo do tipo, ela faz com ou sem o
mega na cabeça.
Ah,
e se vc gostou da idéia de receitas caseiras, no youtube tem vários vídeos com
dicas maravilhosas!
Mas,
independente da escolha, o ideal é que a gente se sinta bem ao olhar no espelho
e consiga se identificar com a imagem refletida. Quando a gente começa a se
transformar em outra pessoa, a situação começa a ser preocupante. Quando olho
minhas fotos do passo, fico feliz, por que sei que estou na minha melhor fase,
consciente de quem sou e sem me preocupar com esses padrões pré-definidos nas
principais propagandas de cosméticos... O principal é a gente se aceitar!
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Uma breve reflexão sobre o programa 'Esquenta'
Hoje eu iria dar dicas de penteados e tratamentos para cabelos enrolados carapinhas e pixains, mas ao ler o texto de Marcos Sacramento, publicado no blog contexto livre, mudei de idéia e decidi deixar o tema para a próxima semana. O referido texto faz uma análise do programa ‘Esquenta’, apresentado por Regina Casé na rede globo. Segundo o autor, a apresentadora envia uma mensagem retrógrada com estereótipos dos negros.
Não é de agora que leio ou escuto diversas críticas sobre o programa, mas assim como fez sacramento, quero levantar alguns questionamentos a partir dos questionamentos dele.
Num primeiro momento, o autor mostra o seu real incomodo com a estrutura do programa, considerado por ele conservador e que repete a versão barulhenta e colorida de velhos costumes. Talvez ai se remetendo a Chacrinha, ícone da televisão brasileira, apresentador entre os anos 50 e 80 e que está eternizado. Gírias, danças e modas das periferias, assim como performances parecem incomodar profundamente a muitos que acompanham o programa ou vêem de vez em quando... mas ai eu questiono: Por que?
Onde está escrito e determinado que os negros das favelas precisam se vestir desta ou daquela forma para serem respeitados? Quem disse que o preto não pode pintar o cabelo de loiro ou querer mostrar sua habilidade com o funk, pagode ou hip hop no palco de um dos programas com maior audiência na televisão brasileira num domingo a tarde? Por que a sua arte tem menos valor?
Mas vamos em frente... o autor alega ainda que seu maior incomodo no formato de programa é a cor de pele predominante no que ele intitula como festa maluca, já que este é o programa com o maior percentual de negros da TV aberta. Mas em que medida isso é ruim? Não seria este o primeiro passo para acabar justamente com a predominância branca em outros programas?
Claro, que ninguém nunca vai agradar a todos, mas é engraçado como mantemos nossas viseiras, acreditando que o programa apenas reforça estereótipos. Acredito que está longe disso. Ao trazer discussões do cotidiano para nossas casas aos domingos, com o povo que vive essa realidade – festiva ou não- é mostrar que independentemente do que aconteça, é possível sim levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. O programa traz indivíduos que o autor chama de suburbanos, subempregados, sempre com um sorriso no rosto, esquecendo-se das mazelas cotidianas por meio da dança, do remelexo, das rimas pobres do funk, do mau gosto de penteados e cortes de cabelo extravagantes, mas ao mesmo tempo traz historiadores e especialistas que discutem a história do nosso país, além de incentivar a leitura através de dicas de livros. Onde está o erro?
Mas o ápice do equivoco deste texto é acreditar que nós negros da periferia precisamos seguir um padrão para termos um dedo de credibilidade. Por que não posso sentir falta do meu feijão com viajo para fora do país? Por que eu preciso pensar em aprender a falar alemão? Por que os rapazes precisam sonhar em trabalhar no Itamaraty? Por que as moças da periferia precisam sonhar em ser modelo para capas da Marie Claire ou da Claudia?
Me bata um abacate! Fui Pra mim, relis mortal, o texto é sobrecarregado de preconceitos e se o autor acredita que o programa é o mais racista da TV, o texto que embasa este meu comentário é o resumo do racismo.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Dia dos namorados: No "Pagodão Elétrico" também se conquista...
Semana cor de rosa, cheia de romantismo e de declarações nas redes sociais. É isso o que acontece quando o dia 12 de junho se aproxima...mas e quem não está namorando? Ou relaxa e passa a fazer piadinhas com a solteirice, ou vai à luta, pra que no dia dos namorados, o presente esteja garantido. E nesse final de semana, uma festa foi, para muitos, a chance de arrumar um par: O pagodão elétrico!
Sei que muita gente ai do outro lado já deve estar torcendo o bico por que é muito mais fácil apontar o dedo para o povo dos guethos, do que olhar em volta e perceber a quantidade de jovens da cidade alta que também vão para boates com um único intuito descer até o chão...a diferença é que uns são regados a Whisky e champanhe enquanto outros aproveitam as três piriguetes a cinco reais...Uns saem de madrugada embriagados e saem dirigindo irresponsavelmente pela cidade até conseguir chegar em casa e dormir até umas horas. Outros precisam esperar o pernoitão para voltar pra casa e no dia seguinte, bater ponto às 7 da manhã, ainda cantarolando: bom dia meu bebê...
Mas voltando ao lance da paquera, nestas festas percebemos um forte clima de sedução no ar. Homens e mulheres fazem uma produção toda especial, com roupas, cabelos e assessórios bem característicos que servem como verdadeiros códigos de aproximação na hora da conquista... E é justamente nessa hora, que a questão racial está mais presente do que a gente imagina. E não é apenas eu quem diz isso. O IBGE comprovou essa informação em pesquisa divulgada no final do passado.
Segundo o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística a raça é fator predominante na hora da escolha de parceiros conjugais e 70% dos casamentos no País ocorrem entre pessoas de mesma cor.
Mas, a mesma pesquisa do IBGE, com base em dados do censo 2010, traz um dado que em nada me deixa satisfeita: Entre homens e mulheres, chama a atenção a maior possibilidade de mulheres pretas ficarem solteiras. Entre as com mais de 50 anos, elas são maioria na categoria “celibato definitivo”, que nunca viveram com cônjuge.
Segundo a pesquisa, entre os fatores que são levados em conta na escolha de um parceiro estão a renda, a educação e a cor ou raça. E Como os negros lamentavelmente ainda estão entre os grupos com menor rendimento e nível de instrução, tudo acaba levando a uma “racialização” na escolha dos parceiros. Ou seja, a gente procura o que está mais próximo da nossa realidade, o que até tende a facilitar a convivência.
Talvez isso justifique ou sirva de explicação para algo que é comum vermos em eventos como o pagodão elétrico. Claro que ninguém vai a um evento como esse em busca de um casamento, mas de 10 pessoas que chegam ao show sozinhas, pelo menos 6 saem acompanhadas, seja para algo de imediato ou para o próximo fim de semana, quem sabe...
Enfim, se você curte ou não esse tipo de festa, se está ou não em busca de um parceiro ou parceira, se ame em primeiro lugar e pense o seguinte: A melanina atrai melanina, mas é preciso que estejamos abertos para as diversas possibilidades, afinal de contas, é importante miscigenar as etnias, garantindo a diversidade. Seja preto, branco, azul ou amarelo, se surgir o desejo, se jogue. Se sonha com o casamento relaxe e deixe acontecer naturalmente. mas se preciso for, apresse o passo e recorra a Santo Antonio!
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Demorei, mas voltei...vamos falar sobre moda?
Minha gente, demorei mas voltei e com tudo. Após um ano apresentando o programa "As Metropolitanas", ao lado de Ticiane Bicelli, na Rádio Metrópole, o programa acabou - por motivo de força maior - e agora sou comentarista do programa SPM, apresentado por Juliana Coelho e Bruno Brasil. Falarei toda quarta-feira sobre assuntos relacionados aos temas negros e vocês podem sugerir os temas através do email: cristielle.franca@radiometropole.com.br . No primeiro dia, falei sobre a moda para a negrada. Dá um confere ai:
Hoje o foco do meu comentário é a moda. Quem, assim como eu, nunca sofreu na hora de comprar uma roupa... Quem é gordinha e busca uma peça diferenciada, solta e com identidade própria, pena nas lojas de departamento...é larga em cima solta em baixo, com um tecido longe do esperado e você ainda corre o risco de se bater com alguém com uma peça igualzinha na próxima esquina.
Mas calma, nem tudo está perdido! Depois de muito rodar pela cidade, encontrei algumas lojas dispostas a atender a essa demanda. Elas priorizam o conforto, com tecidos leves, com estampas étnicas e cores fortes. Uma boa pedida é a Loja Negrif, que fica na Rua Carlos Gomes, no centro da cidade. além de fazer peças únicas, a loja realiza semanalmente um evento chamado sexta das pretas, no qual as clientes podem ouvir uma boa música, provas algumas iguarias da culinária baiana, como acarajé e caldo de sururu e ainda aprender a fazer variados tipo de turbantes, que estão super na moda.
Outra loja que aposta na autenticidade do publico jovem e negro de salvador é a NBlack, também na Carlos Gomes. Lá as peças são mais focadas na negritude do chamado povo do guetho. Além disso, a empresa aposta em colocar a imagem que compõe a marca da loja em quase todas as peças, produzidas com foco no estilo e atitude. Cores, texturas e modelagens são marcas que caracterizam essas peças, que também podem feitas de acordo com o gosto do cliente, o que garante uma moda Afro diferenciada. Turbantes e assessórios também são encontrados lá. Ou seja, em qualquer uma das indicações, pode entrar na certeza de vai sair barbarizando!
Esse é só o começo. Semana que vem, tem mais...
Hoje o foco do meu comentário é a moda. Quem, assim como eu, nunca sofreu na hora de comprar uma roupa... Quem é gordinha e busca uma peça diferenciada, solta e com identidade própria, pena nas lojas de departamento...é larga em cima solta em baixo, com um tecido longe do esperado e você ainda corre o risco de se bater com alguém com uma peça igualzinha na próxima esquina.
Mas calma, nem tudo está perdido! Depois de muito rodar pela cidade, encontrei algumas lojas dispostas a atender a essa demanda. Elas priorizam o conforto, com tecidos leves, com estampas étnicas e cores fortes. Uma boa pedida é a Loja Negrif, que fica na Rua Carlos Gomes, no centro da cidade. além de fazer peças únicas, a loja realiza semanalmente um evento chamado sexta das pretas, no qual as clientes podem ouvir uma boa música, provas algumas iguarias da culinária baiana, como acarajé e caldo de sururu e ainda aprender a fazer variados tipo de turbantes, que estão super na moda.
Outra loja que aposta na autenticidade do publico jovem e negro de salvador é a NBlack, também na Carlos Gomes. Lá as peças são mais focadas na negritude do chamado povo do guetho. Além disso, a empresa aposta em colocar a imagem que compõe a marca da loja em quase todas as peças, produzidas com foco no estilo e atitude. Cores, texturas e modelagens são marcas que caracterizam essas peças, que também podem feitas de acordo com o gosto do cliente, o que garante uma moda Afro diferenciada. Turbantes e assessórios também são encontrados lá. Ou seja, em qualquer uma das indicações, pode entrar na certeza de vai sair barbarizando!
Esse é só o começo. Semana que vem, tem mais...
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